Rondônia, 17 de agosto de 2019

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14/06/2017 11:35

Porto Velho

“Virtudes de Rondônia”, por Andrey Cavalcante

Presidente da OAB/RO, Andrey Cavalcante

 “Virtudes de Rondônia”, por Andrey Cavalcante

Agiu corretamente o governo de Rondônia ao anunciar na grande imprensa as virtudes de nosso estado para atrair investimentos, como forma de agregar valor à produção regional. Rondônia precisa realmente mostrar ao país o que é: uma ilha de prosperidade no mar revolto, inclemente e borrascoso que se apresenta na maioria dos estados da União. Temos por aqui, claro, os efeitos deletérios da crise econômica sem precedentes que se instalou no País, agravada pela instabilidade política decorrente do combate à corrupção. Mas o governo rondoniense tem sido bom timoneiro na condução do estado por águas mais calmas: paga desde sempre o salário dos servidores dentro do mês trabalhado e mantém equilibradas as contas com os fornecedores. Isso não foi dito na publicidade estampada logo no início da revista Veja, edição desta semana. Mas é igualmente um importante fator de atração para o empresariado, que busca fundamentalmente cenário e ambiente de equilíbrio financeiro para produzir.

Rondônia exibe virtudes – como bem assinala a publicidade governamental – plenamente capazes de atrair investidores. Recursos naturais abundantes e um modal de transportes diverso e estruturado – diz o texto – são um convite para quem transforma matéria-prima em produtos, especialmente porque possui localização geográfica privilegiada. Porto Velho, de fato, não está longe de consolidar sua vocação de entreposto comercial com acesso rodoviário ao sul do país pela BR-364, a Manaus, pela BR-319, aos mercados andino e asiático com a saída para o Pacífico nos portos do Chile já consolidada, e ao Atlântico, pela hidrovia do Madeira. O texto lembra que os comboios de balsa transportam em uma só viagem mais de 50 mil toneladas de grãos exportadas para a Europa. E o acesso a Manaus pelo rio incorpora também um forte componente de cargas pelo sistema roll-on-roll-off. E cita, como vantagem adicional, a farta produção de energia com duas das maiores hidrelétricas do mundo, em Santo Antônio e Jirau, que produzem 7,9 mil MW – energia suficiente “para tocar, por exemplo, toda a economia peruana, apontada como que mais cresce na América Latina”.

Outro ponto abordado é a qualificação de mão de obra nos diversos polos acadêmicos espalhados pelo estado, que formam anualmente milhares de profissionais de nível superior e técnico. O material termina com um convite aos empreendedores para conhecer a “ótima política de incentivos” que o governo do estado oferece: “você estará a caminho de descobrir porque Rondônia está virando uma fábrica de empreendedores bem sucedidos”. É claro que alguns gargalos precisam ser superados. Um deles – a ponte sobre o rio Madeira, na BR-364, distrito de Abunã – está quase afastado. As obras estão próximas da conclusão e o tráfego ficará finalmente livre da demora e dos pedágios cobrados pelas balsas na travessia. Outro problema é a BR-319, uma rodovia há muito antropizada que, no entanto, continua fomentando ações judiciais movidas pelo IBAMA. Agora mesmo a justiça acaba de determinar o embargo, a pedido do Ministério Público, dos trabalhos de conservação da rodovia, para desespero de milhares de pequenos produtores instalados há décadas na região e severos prejuízos aos cofres públicos com a desmobilização das empresas contratadas para o serviço, sem contar que tudo o que se fez até agora corre o risco de ser perdido.

Também há preocupação em relação à BR-364. O coordenador de engenharia do DNIT/RO, engenheiro Alan Lacerda, em entrevista ao programa “A Hora do Povo” da Rede Rondônia de Rádio, chamou a atenção para o risco de comprometimento de nossa economia em função da falta de infraestrutura. O transporte intermodal da produção, que reúne o acesso à hidrovia do Madeira pela BR-364 está ameaçado pela precariedade da rodovia, na decrepitude de seus 34 anos a serem completados em agosto. Ele defende mobilização das bancadas de RO e AC, autoridades governamentais, lideranças políticas, empresariais e público de maneira geral para cobrar a duplicação da rodovia. As obras de restauração, que agora estão sendo licitadas, nem contemplam a implantação de terceira pista nos trechos mais críticos, por falta de recursos. A Comissão de Logística da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso já está recomendando o escoamento da safra de grãos pela BR-163 – Cuiabá – Santarém – embora ainda restem perto de 100 quilômetros sem asfalto. Isso com certeza trará reflexos negativos para a economia rondoniense, com a extinção de muitos postos de trabalho. A OAB Rondônia está pronta a participar dessa mobilização. Afinal é a nossa principal rodovia e sua precariedade coloca em risco a segurança dos usuários.


Fonte:Andrey Cavalcante





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