19/02/2026 14:53h - Rondônia - Cultura

Carnaval promove a economia e a identidade cultural de RO com fomento da Assembleia Legislativa

Assembleia Legislativa valoriza e fomenta a cultura popular

O Carnaval em Rondônia, especialmente em Porto Velho, consolidou-se a partir de meados do século XX, influenciado pela construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) e pela presença de trabalhadores vindos de diversas regiões do país, o que contribuiu para a introdução das escolas de samba, dos bailes e dos blocos populares. Esse é um resgate da história do Carnaval de rua em Rondônia, com foco na capital, em que essa tradição cultural é incentivada pelos de esforços de membros da Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) na valorização e fomento à cultura e ao turismo, setores que ganham destaque durante o feriado prolongado e contribuem para a economia e a valorização da identidade rondoniense. Para o presidente da Comissão de Esporte, Turismo e Lazer (CETL) da Alero, deputado Nim Barroso (PSD), no período carnavalesco: “a gente vê cidades mais movimentadas, hotéis cheios, bares, restaurantes e o comércio local trabalhando mais forte. Isso gera emprego temporário, renda para muita gente e fortalece a economia, principalmente para os pequenos empreendedores, artistas e trabalhadores que vivem da cultura e do turismo”. O parlamentar afirma que o investimento público é essencial para manter viva essa tradição, principalmente porque garante organização, estrutura, segurança e apoio aos blocos e eventos, permitindo que o Carnaval aconteça de forma responsável e organizada. “Mais do que uma festa, é cultura, é identidade do nosso povo, e quando o poder público apoia, ele ajuda a preservar essa história e a valorizar quem faz a cultura acontecer”. Nesse contexto, a união entre a Assembleia Legislativa, o governo do estado e o terceiro setor é fundamental. Essas parcerias permitem que recursos cheguem na ponta, em projetos bem estruturados, por meio de emendas, convênios e termos de fomento. O terceiro setor tem proximidade com as comunidades e ajuda a transformar esses investimentos em ações concretas, com resultado social e cultural. O fato de reconhecer os blocos como patrimônio cultural imaterial é valorizar a história, as pessoas e as comunidades que mantêm essas tradições vivas há anos. Segundo Nim Barroso: “esse reconhecimento protege a cultura, fortalece a identidade local e abre caminho para políticas públicas de incentivo e preservação. É uma forma de garantir que essas manifestações continuem existindo e sendo passadas para as próximas gerações”. Turismo Dados do Setor de Promoção e Eventos Turísticos da Superintendência Estadual de Turismo (Setur) apontam um impacto positivo da festa. O Carnaval, uma das maiores manifestações culturais do Brasil, exerce um impacto significativo em diversas regiões do país, incluindo Rondônia. O relatório analisa a movimentação econômica e o fluxo turístico esperado para o Carnaval de 2026 no estado, com foco em Porto Velho, a partir de dados e projeções recentes. Quanto à movimentação econômica, as projeções indicam um forte impacto na economia de Rondônia. Estima-se que o período festivo movimente cerca de R$ 123 milhões no estado, com aproximadamente R$ 30 milhões concentrados na capital, Porto Velho. O setor de turismo enxerga o Carnaval como uma oportunidade concreta para atrair público, fortalecer serviços e criar oportunidades para pequenos empreendedores que atuam com alimentação, transporte, hospedagem e experiências culturais. A festa aquece a economia, aumenta a ocupação da rede hoteleira, movimenta bares, restaurantes e transporte, além de gerar oportunidades para guias, motoristas e empresários do turismo. Na Cultura como estratégia de destino, entende que eventos populares como o Carnaval contribuem para posicionar Porto Velho no mapa turístico regional, reforçando sua identidade cultural e ampliando o interesse de visitantes. “O Carnaval é visto como uma vitrine que, quando bem divulgado, desperta curiosidade e cria uma imagem mais viva e atrativa da cidade”. Ao visualizar o turismo além dos blocos, percebe que mesmo com o foco nas comemorações, muitos turistas buscam outras vivências durante o feriado prolongado, explorando a gastronomia, a história e os atrativos naturais da região. “A integração dessas experiências durante o período é fundamental para consolidar o Carnaval como um motor turístico mais forte”. Quanto aos desafios e oportunidades para que o Carnaval se consolide como um motor turístico mais forte, entende ser necessário um maior planejamento e organização conjunta. Isso inclui mais divulgação fora do estado, roteiros preparados, capacitação dos profissionais e estrutura adequada para receber os visitantes. “O Carnaval deve ser visto não apenas como festa, mas como um impulsionador do desenvolvimento turístico sustentável”. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Rondônia atua como parceiro estratégico dos empreendedores do turismo, oferecendo capacitações e orientações para que os negócios locais estejam mais preparados para grandes eventos e períodos de alta demanda. Estima-se um aumento no fluxo turístico de 40% na capital e no interior 27%. Mestre Bainha A história do carnaval de Rondônia passa por Waldemir Pinheiro da Silva, o Mestre Bainha, nascido em 11 de agosto de 1938 e próximo de completar 88 anos, lúcido e vigoroso. Cita a influência dos barbadianos que vieram trabalhar na Estrada de Ferro Madeira Mamoré, com posterior surgimento do clube Danúbio Azul Bailante Clube. Em sua trajetória compôs quase 100 músicas, fundou cinco escolas de samba com destaque para Diplomatas em 1958, e três blocos em Porto Velho: Só vai quem bebe, Bloco do Bode e o Mistura Fina. Narra com mestria histórias reais, a exemplo do encontro das personagens fantasiadas de Sansão e Dalila, em 1954, nas proximidades do Porto Velho Hotel. Também foi fundador do primeiro conjunto musical, o Bossa Nova. Cita o Bloco da Cobra que surgiu em uma reunião de seringalistas no bar Santo Antônio. Os brincantes passavam óleo diesel no corpo e na brincadeira se abraçavam aos populares. Os foliões desfilavam na Presidente Dutra. “Nós tivemos um carnaval aqui que os brincantes vieram de carroça, em 1927, o Bloco do Clube Internacional, quem comandava esse bloco era a Dona Labibi Bartolo” que era uma das brincantes do Bloco Noroeste. Destaca que o Clube Internacional que funcionava onde hoje é a piscina do Ferroviário, era frequentado pela elite dos construtores da Madeira Mamoré, enquanto o Danúbio Azul na região do que hoje é o frigorífico do peixe (Cai N’água), recebia os operários da Estrada de Ferro. Em relação à Bola Sete (Eliezer Santos), Bainha diz: “Gente boa, meu amigo, fez muito pela cultura. Mas o Boa Sete deveria ser a pessoa homenageado pela cultura que ele trouxe: a capoeira, o berimbau e o boxe. A luta de boxe e não Escola de Samba. Por favor, está furado isso aí. Inclusive, colocaram em um livro que ele teria fundado a primeira Escola de Samba, mas negativo. Isso aí não existiu, o Bola Sete foi brincar na Diplomatas em 1962 comigo”. Esclarece que o Bloco de sujo era aquele pessoal que vinha avulso. O Triângulo teve um bloco, mas em conjunto. No que se refere ao Bloco Triângulo Não Morreu, o primeiro com ritmo de samba, ele “começou a ensaiar no colégio Franklin Roosevelt. Era muita cachaçada, muita batucada e os moradores não aceitaram aquilo. Isso em 1953”. Veio a informação de que o bloco não tinha onde ensaiar. Então, Bola Sete, que morava na Rua Almirante Barroso, em frente ao cemitério, reuniu os brincantes e criou o Bloco de Carnaval Deixa Falar. À época, ainda não existia escola de samba. “Colocou o nome de Deixa Falar porque se lembrou do nome de uma escola de samba do Rio de Janeiro, essa, sim, no Rio de Janeiro, foi a primeira escola de samba do Brasil.” O carnaval era festejado em blocos e nos clubes, tais como: Danúbio Azul Bailante Clube, Guaporé, Imperial, União Operária, Bancrevea e o Ypiranga. Após as apresentações na Rua Presidente Dutra, o festejo continuava nas referidas sedes. Em 1958 tinha o Bloco do Valério ou da dona Jóia, e o Rei da Selva do Valdemar Cachorro.

Fonte: Assessoria

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