14/02/2026 12:39h - Ariquemes - Cultura

Filme Bom Futuro resgata memória do garimpo e protagonismo feminino esquecido pela história

Gravado entre junho e julho de 2025, o filme teve 40 dias de filmagens em diferentes territórios do estado

As primeiras imagens do longa-metragem Bom Futuro, dirigido por Fabiano Barros e produzido pela Conexão Norte, sob a coordenação geral de João Leão e Emili Lamarão, começam a ser divulgadas e apresentam ao público uma prévia da obra, que promete aproximar ainda mais os espectadores do cinema produzido em Rondônia. Gravado entre junho e julho de 2025, o filme teve 40 dias de filmagens em diferentes territórios do estado, incluindo Porto Velho, Candeias do Jamari e a região de Bom Futuro, município de Ariquemes, além de comunidades rurais e ramais históricos ligados à exploração de cassiterita na década de 1990. Baseado na história real da garimpagem de cassiterita no garimpo de Bom Futuro, o projeto constrói uma narrativa ficcional que mistura drama, thriller social, realismo mágico, ficção histórica e elementos de western amazônico. Quatro mulheres no centro da narrativa A trama acompanha as trajetórias de quatro mulheres — Binha (Layra Angélica), Zefa Sibita (Agrael de Jesus), Chica (Kaline Leigue) e Maria Surrupei (Joria Lima) — que vivem no garimpo nos anos 1990 e, em meio à violência estrutural, à exclusão social e à devastação ambiental, constroem estratégias de sobrevivência e resistência. Chica é mãe e evangélica, tentando sustentar a casa enquanto enfrenta o alcoolismo do marido. Maria Surrupei, rezadeira, carrega o trauma de violências sofridas durante operações policiais. Zefa Sibita, já idosa, mantém um bar como forma de subsistência em um ambiente dominado por tensões. Binha, mulher trans, enfrenta o preconceito cotidiano enquanto luta por dignidade. Segundo a proposta estética do filme, a obra busca “visibilizar o invisível”, trazendo para o centro da narrativa personagens historicamente apagadas dos registros oficiais da ocupação amazônica. Cinema, memória e território As primeiras imagens revelam paisagens marcadas pelo barro e pela poeira, ruínas e uma floresta ferida, contrastadas com momentos de espiritualidade, afeto e sororidade feminina, criando um retrato sensível das relações humanas em meio a um território atravessado por memória, resistência e transformação. A direção aposta em uma fotografia naturalista assinada por Neto Cavalcante, Fabiano Barros e Rafael Rogante, com forte presença do ambiente amazônico devastado como personagem dramático, evidenciando o impacto social da mineração predatória. Além do resgate histórico, o filme propõe uma reflexão sobre as consequências humanas do ciclo mineral e a violência vivida por mulheres em Rondônia. O elenco conta ainda com José Valdomiro, Osmar Scarpatti, Gilmar Franco e Tino Alves, além de um amplo grupo de atores do próprio estado, fortalecendo a cadeia produtiva local. A obra também reforça a importância de investimentos contínuos no audiovisual regional, ao registrar práticas culturais, memórias sociais e modos de vida amazônicos, ao mesmo tempo em que impulsiona uma indústria criativa que cresce ano a ano no Brasil. Produção mobilizou mais de 400 trabalhadores Realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio do Edital nº 11, o longa contou com financiamento público articulado pela SEJUCEL, com apoio do Governo de Rondônia e do Governo Federal do Brasil. A produção gerou mais de 400 postos de trabalho diretos e indiretos, envolvendo técnicos, artistas, moradores das comunidades e profissionais da cadeia audiovisual local, consolidando-se como uma das maiores realizações cinematográficas recentes do estado. Estreia prevista para o fim do ano Atualmente em fase de pós-produção, Bom Futuro tem estreia prevista para o final de 2026, com expectativa de circulação em festivais nacionais e internacionais antes do lançamento comercial. O longa se apresenta não apenas como obra cinematográfica, mas como um gesto de reconstrução de memória coletiva, narrando a Amazônia a partir das vozes de quem permaneceu depois que o ouro e a cassiterita deixaram de brilhar em Rondônia.

Fonte: Fabiano Tertuliano de Barros

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