04/04/2026 18:14h - Porto Velho - Geral

Abate de búfalos reacende debate em RO e surge como oportunidade para turismo e controle ambiental

Controle da espécie invasora divide opiniões, mas especialistas e caçadores apontam ganhos econômicos e ambientais para o estado. Foto: Caçador profissional Cris Hunt atuando em caça turística na África. Reprodução / Instagram

Por Felipe Corona O avanço descontrolado de búfalos em áreas de preservação na Amazônia, especialmente no Vale do Rio Guaporé, em Rondônia, reacendeu um debate que vai além da polêmica ambiental e entra no campo das oportunidades econômicas. Enquanto decisões judiciais suspenderam temporariamente o abate por questionamentos sobre planejamento e impactos sociais, especialistas e profissionais do setor defendem que o controle da espécie pode gerar benefícios concretos para o estado. A presença dos animais, considerados não nativos em determinadas regiões, tem provocado desequilíbrios ambientais significativos, com impactos diretos sobre a fauna e a flora locais. Projetos recentes chegaram a prever a eliminação de parte de um rebanho estimado em cerca de 5 mil búfalos em áreas protegidas, justamente para conter esse avanço. Nesse cenário, o caçador profissional Cristiano Furtado, mais conhecido como Cris Hunt @crishuntbrasil tem defendido uma abordagem mais pragmática: o abate controlado, com critérios técnicos, poderia transformar um problema ambiental em ativo econômico. Segundo ele, além de ajudar no equilíbrio ecológico, a atividade pode impulsionar o turismo de caça legalizada, um segmento já consolidado em países como Estados Unidos e África do Sul. “Essa carne poderia ser vistoriada por médicos veterinários e utilizada na alimentação de humanos, na forma de charque”, indica ele. A lógica é simples: onde hoje há prejuízo ambiental, poderia haver geração de renda. A caça regulamentada atrairia visitantes, movimentaria cadeias locais (como hospedagem, transporte e alimentação, a exemplo do que acontece com a pesca no próprio Rio Guaporé) e ainda contribuiria para o manejo sustentável da fauna. Essa visão também encontra eco entre internautas e observadores do tema, que destacam que Rondônia poderia se posicionar como destino estratégico para turismo de natureza com manejo controlado. A proposta inclui não apenas a caça, mas também a utilização da carne e subprodutos, evitando desperdício e ampliando o impacto econômico positivo. Veja vídeo de caçada de búfalos realizada por Cris Hunt na África: Apesar disso, o tema ainda enfrenta resistência. O Ministério Público Federal (MPF) questionou a ausência de estudos mais robustos e a falta de diálogo com comunidades locais, o que levou à suspensão judicial da medida. A Justiça determinou que órgãos ambientais apresentem soluções mais estruturadas para o controle da espécie. No centro da discussão está um dilema típico da Amazônia contemporânea: como equilibrar preservação ambiental, bem-estar animal e desenvolvimento econômico. De um lado, o risco ambiental causado por uma espécie invasora. Do outro, a oportunidade de transformar esse problema em política pública eficiente. Se conduzido com planejamento, transparência e base científica, o controle populacional dos búfalos pode deixar de ser apenas uma crise e passar a ser uma estratégia: ambiental, econômica e até turística para Rondônia.

Fonte: Jornal Rondoniavip

Notícias relacionadas