11/01/2026 19:43h - Brasília - Geral

Médico presidente do CFM é de Rondônia e vai ser ouvido pela PF a pedido de Moraes

Quem é o presidente do CFM, que deve ser ouvido pela PF a pedido de Moraes

O presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), José Hiran da Silva Gallo, foi intimado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) a prestar depoimento após abrir sindicância para apurar suposta falta de assistência médica ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Quem é o presidente do CFM José Hiran da Silva Gallo é médico ginecologista e obstetra. Ele é formado pela UFPA (Universidade Federal do Pará) e teve uma longa atuação no CRM de Rondônia, sendo vice-presidente entre 1993 e 1996 e presidente entre 2002 e 2006. Gallo preside o CFM desde 2022. Ele assumiu o cargo de presidente do conselho pela primeira vez em abril de 2022, quando tomou posse junto com a nova diretoria eleita para um mandato que iria até 30 de setembro de 2024. Gallo foi reconduzido à presidência em outubro de 2024 pela nova composição da diretoria, após a posse dos conselheiros federais. O novo mandato dura até 2029. Ele esteve à frente do CFM durante parte da pandemia de covid-19 e era contrário ao uso de máscaras. Apesar das evidências científicas, ele enviou um ofício à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 2023 dizendo que o uso da proteção facial era "sinalização de virtude" e "ideologia". Obstetra, Gallo atuou para dificultar o acesso ao aborto legal. Em uma diretriz de 2024, o CFM, sob a gestão dele, proibiu um procedimento usado em casos de interrupção legal de gestações resultantes de estupro após 22 semanas. A norma depois foi suspensa por Moraes. Gallo afirma que há limite na "autonomia da mulher" sobre o corpo. Em uma audiência no STF ainda em 2024, ele afirmou que o método de assistolia fetal —alvo da diretriz do CFM— é uma "crueldade" e mulher que engravidar em decorrência de um estupro pode induzir o parto e entregar o bebê à adoção. Gallo tem histórico de apoio a Bolsonaro Presidente do CFM é apoiador do ex-presidente. Em 2018, José Hiran da Silva Gallo publicou um artigo comemorando a vitória de Bolsonaro na eleição, intitulado "a esperança venceu o medo". O texto foi divulgado no site do Conselho Regional de Medicina de Rondônia, onde ele ocupava o cargo de diretor-tesoureiro na época. Gallo também defendeu o então presidente na pandemia de covid-19. "Pessoalmente, entendo ser um equívoco atribuir ao presidente Jair Bolsonaro a culpa absoluta por essa catástrofe. Se ele cometeu deslizes na comunicação dessa crise, por outro lado, não se pode ignorar que seu Governo se desdobrou para aumentar a oferta de leitos de internação e de UTI", declarou. Sindicância sobre Bolsonaro foi anulada por Moraes Moraes afirmou que há "ilegalidade e ausência de competência" do CFM em relação à Polícia Federal. "Demonstrando claramente o desvio de finalidade da determinação, além da total ignorância dos fatos." Não houve qualquer omissão ou inércia da equipe médica da Polícia Federal, disse Moraes. Segundo o ministro, a atuação da equipe foi corroborada pelos exames médicos realizados hoje no Hospital DF Star, que "não apontaram nenhum problema ou sequela em relação ao ocorrido na madrugada do dia anterior". Ministro determinou que o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, preste depoimento à Polícia Federal em até dez dias. "Para que explique a conduta ilegal do CFM e para que se apure eventual responsabilidade criminal", decidiu. Além disso, o Hospital DF Star deverá encaminhar os exames médicos e laudos referentes a Bolsonaro em até 24 horas. CFM havia determinado que o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal apurasse os fatos. O órgão federal disse ter recebido denúncias formais que "expressam inquietação quanto à garantia de assistência médica adequada" a Bolsonaro. "Além disso, declarações públicas de relatos sobre intercorrências clínicas causam extrema preocupação à sociedade brasileira", disse em nota. Saúde do ex-presidente demanda monitoramento contínuo e imediato, diz o conselho. O CFM afirmou que "deve ser assegurada assistência médica com múltiplas especialidades pelo estado brasileiro, inclusive em situações de urgência e emergência." Em obediência ao disciplinado em lei e ao Código de Processo Ético-Profissional, o CFM determinou ao Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, a imediata instauração de sindicância para apuração dos fatos. Bolsonaro tentou caminhar e caiu, dizem médicos O cardiologista Brasil Caiado, um dos médicos de Bolsonaro, afirmou a jornalistas que ele tentou caminhar e caiu. "Não foi apenas uma queda da cama [...] Como ele estava sozinho e não presenciamos a queda, tentando reconstituir a cena com ele, foi que eu deduzi que houve este levantamento, ele caminhou e na queda bateu a cabeça e o pé em um objeto dentro do quarto. Por que é diferente? Uma simples queda da cama é uma coisa. Você se levantar, caminhar e cair é outra coisa." Tontura, desequilíbrio e oscilação da memória de Bolsonaro "chamam atenção", disse Caiado. "O que me chama atenção desde ontem ou há dois ou três dias são esses quadros: tontura, desequilíbrio e oscilação da memória. Penso, neste momento, que temos que fazer um acompanhamento juntos, compartilhado." Há uma suspeita de que a queda possa ter sido causada pela interação e dosagem dos remédios, explica Caiado. Segundo ele, será necessário avaliar se tirar os medicamentos colocaria Bolsonaro em uma condição "degradante" de soluços —o ex-presidente está tomando novas medicações após os procedimentos médicos realizados no fim do ano. Caiado confirmou que os exames feitos no ex-presidente apontaram uma lesão que caracterizam traumatismo craniano leve. "Em relação aos exames feitos hoje, observamos uma lesão em partes moles da região temporal direita e da região frontal direita, caracterizando um traumatismo craniano leve", disse. Ontem, o médico Claudio Birolini apontou que Bolsonaro teve um "traumatismo cranioencefálico leve". Moraes autorizou hoje a ida de Bolsonaro ao hospital. Ele sofreu uma queda ontem e bateu a cabeça, na Superintendência da Polícia Federal. O relatório da PF encaminhado ontem a Moraes afirmou que o ex-presidente estava orientado e sem sinais de déficit neurológico.

Fonte: BOL

Notícias relacionadas