Menino autista de 13 anos morre de fome após ficar oito dias trancado em casa e mãe ser assassinada
Polícia Civil aponta ligação direta entre o feminicídio da mãe e a morte do adolescente, que era autista e totalmente dependente - Foto: Reprodução
A Polícia Civil confirmou um dos episódios mais chocantes registrados recentemente no país envolvendo violência doméstica e abandono de pessoa vulnerável. Um adolescente autista, de 13 anos, morreu após permanecer sozinho por vários dias em um apartamento no bairro Jardim Guanabara, na região Norte de Belo Horizonte. A morte ocorreu poucos dias depois do assassinato da mãe do menino, crime tratado como feminicídio pelas autoridades.
A vítima foi identificada como Bernardo Lucas de Araújo Ribeiro. Segundo a investigação, o adolescente era autista, não verbal e totalmente dependente da mãe, Heddy Lamar de Araújo, de 44 anos. A Polícia Civil aponta que a morte do menino está diretamente ligada ao homicídio da mãe, ocorrido dias antes.
As conclusões foram apresentadas durante coletiva realizada nesta segunda-feira (22), quando investigadores detalharam a sequência de acontecimentos que levou ao desfecho trágico.
Menino ficou isolado e sem condições de pedir ajuda
De acordo com a apuração, Heddy deixou o apartamento durante a madrugada, trancando o filho sozinho em um quarto. O adolescente não tinha acesso a alimentos, água ou qualquer meio de comunicação para pedir socorro.
Imagens de câmeras de segurança analisadas pela polícia mostram a mulher solicitando uma corrida por aplicativo e seguindo até a região do Hospital Risoleta Neves, onde teria se encontrado com Bruno Alexandre Ferreira, de 37 anos, com quem mantinha um relacionamento há cerca de dois anos.
Crime contra a mãe foi premeditado, aponta investigação
Após o encontro, Heddy foi levada para uma área isolada no bairro Nova York, em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Conforme a Polícia Civil, há indícios de que o crime foi planejado.
O laudo do Instituto Médico Legal apontou que a vítima morreu por asfixia. O principal suspeito, Bruno Alexandre Ferreira, foi preso preventivamente no dia 18 de dezembro, em Santa Luzia. Ele nega participação no crime, mas, segundo os investigadores, apresentou contradições em seus depoimentos.
Laudo confirma morte por inanição
Após a identificação do corpo de Heddy, equipes policiais foram até o apartamento onde ela vivia com o filho. No local, encontraram o adolescente já sem vida.
O laudo pericial confirmou que Bernardo morreu por inanição, caracterizada pela ausência total de alimentação por um período prolongado. A Polícia Civil destacou que, diante da condição do adolescente, era impossível qualquer chance de sobrevivência sem cuidados, o que reforça a gravidade da omissão.
Suspeito responde por dois crimes
Bruno Alexandre Ferreira foi indiciado por feminicídio, pela morte de Heddy Lamar de Araújo, e por homicídio por omissão, pela morte do adolescente. As investigações seguem em andamento para apurar se há outras responsabilidades relacionadas ao caso.
A tragédia gerou forte comoção e reacendeu discussões sobre a proteção de pessoas com deficiência, o combate à violência contra a mulher e a necessidade de mecanismos mais eficazes de prevenção a situações extremas como essa.