04/11/2026 17:29h - Mato Grosso do Sul - Geral
PF sequestra haras, fazendas e mansões de grupo suspeito de tráfico internacional e lavagem
Ação da PF contra grupo ligado ao PCC e ao PGC atinge patrimônio avaliado em mais de R$ 500 milhões; também foram encontrados dinheiro, armas, munições e relógio Rolex - Foto: Divulgação

Além do tráfico, a organização é investigada por sequestros, torturas, cárcere privado, atentados e homicídios. Segundo a PF, os integrantes utilizavam armas pesadas, como fuzis, metralhadoras, granadas e lança-foguetes, além de drones e veículos blindados para intimidar rivais e controlar territórios.
O superintendente afirmou que a violência era usada para sustentar o esquema de tráfico de drogas.
"Para esse tipo de atitude, usavam também de muita violência, muitas armas de fogo. Nós temos aí indicativos de homicídios, nós temos indicativos de torturas, de cárcere privado, de sequestro, tudo envolvendo essa prática de tráfico de drogas na modalidade internacional e derivado a isso também toda a prática de lavagem de dinheiro", declarou.
Durante o cumprimento dos mandados, foram registrados flagrantes de armas de fogo e apreensões de armamentos. Até o momento da entrevista, segundo o superintendente, não havia indicação de um ponto de venda de drogas encontrado durante a operação.
Entenda a Operação Ifrit
A operação foi deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal, após autorização da Justiça Federal de Campo Grande. Os mandados são cumpridos em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia.
A Justiça autorizou 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária. Também foram determinadas três medidas de monitoramento eletrônico e o afastamento de três policiais civis de Mato Grosso do Sul.
A investigação aponta que a organização era comandada por um núcleo familiar formado por três irmãos, filhos e outros parentes. A PF afirma que o grupo movimentou mais de R$ 500 milhões em dois anos, por meio de contas de investigados, doleiros e empresas de fachada.
Entre 2022 e 2026, a PF realizou ou monitorou pelo menos 12 apreensões relacionadas ao grupo. Nessas ações, foram apreendidas mais de 2,5 toneladas de cocaína, oito toneladas de maconha, 50 quilos de dry e diversas armas, incluindo fuzis e pistolas.
Delegado é suspeito de desviar 2 toneladas de cocaína
Entre os alvos da operação está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que já chefiou a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e o Grupo de Repressão a Roubos e Furtos (Garras), em Mato Grosso do Sul.
Segundo a PF, ele é suspeito de integrar a cúpula da organização criminosa e de usar o cargo para desviar cerca de duas toneladas de cocaína que estavam armazenadas na Denar. A investigação aponta que a droga apreendida em operações policiais era retirada do depósito e substituída por uma versão adulterada, de baixa qualidade, para que o desvio não fosse percebido.
Ainda conforme a investigação, o delegado teria vendido a cocaína desviada por valores entre R$ 8,5 mil e R$ 10,5 mil o quilo. A PF estima que ele tenha obtido pelo menos R$ 15 milhões com o esquema, além de veículos, uma mansão no condomínio Alphaville, em Campo Grande, e um sítio em Pirenópolis (GO).
Hoffman já estava preso preventivamente por causa de outro procedimento. Nesta quarta-feira, foi cumprido um novo mandado de prisão preventiva contra ele, no âmbito da Ifrit. Após o cumprimento da ordem, foi encaminhado à unidade prisional.
Em nota, a defesa informou que ainda não teve acesso integral ao processo, à decisão que determinou a nova prisão nem às provas que embasaram as medidas. Por isso, afirmou que considera prematuro comentar as novas acusações. Os advogados disseram que vão analisar o material assim que tiverem acesso aos autos e adotar as medidas cabíveis.
A defesa ressaltou que prisões preventivas e medidas de investigação não representam uma condenação e que os fatos devem ser analisados durante o processo, com garantia do contraditório e da ampla defesa.
Policial civil Douglas Tobias também foi alvo
O policial civil Douglas Tobias, que também foi preso em setembro durante a Operação Infiltrados, do Gaeco, voltou a ser alvo de mandados nesta quarta-feira. A operação anterior investigou suspeitas de desvio de drogas apreendidas pela polícia.
A defesa informou que acompanhou o cumprimento do mandado de busca e apreensão, mas ainda não teve acesso à decisão judicial e ao conteúdo do inquérito.
Em nota, o advogado Luiz Renê afirmou que Douglas está à disposição para prestar esclarecimentos e declarou que o cliente não tem nada a esconder.
"De todo modo, Douglas Tobias mais uma vez demonstrou se tratar de pessoa idônea, profissional exemplar e que nada tem a esconder, estando à disposição para prestar esclarecimentos e esperando que se faça justiça", disse o advogado.
As investigações continuam. Os suspeitos poderão responder, conforme a participação de cada um, por crimes como organização criminosa, tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro, corrupção, tortura e homicídio.
Por Mirian Machado, g1 Fonte: G1