28/02/2026 14:00h - Iran - Mundo

Operação Rugido de Leão: Ataque de Israel e EUA é contra "ameaça existencial" Iraniana

EUA e Israel lançam operação conjunta contra a "ameaça existencial" iraniana. O Presidente dos EUA prometeu destruir as capacidades nucleares do Irão. Teerão já retaliou com ataques com mísseis e drones contra Israel.

Israel lançou este sábado (28.02) um ataque contra a capital do Irã, Teerão, onde nuvens de fumo subiram no norte e centro da cidade. Segundo o Ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, tratou-se um de ataque "preventivo" para "eliminar ameças". Os ataques israelitas visam "instalações militares e do regime", informou a emissora pública Kan, em Israel, citando uma autoridade israelita. O primeiro ataque terá ocorrido numa zona aparentemente próxima dos escritórios do líder supremo, aiatola Ali Khamenei. Trump anuncia "grande operação de combate" O ataque israelita ao Irão foi coordenado com os EUA, informação confirmada mais tarde pelo Presidente norte-americano, Donald Trump. Trump anunciou que os EUA iniciaram "grandes operações de combate no Irã" e que o objetivo é "eliminar ameaças iminentes" do regime teocrático. "A hora da vossa liberdade está ao alcance das mãos", disse Donald Trump num vídeo de oito minutos através da rede social Truth Social. Trump enumerou operações do Irã contra alvos norte-americanos desde o início do regime teocrático (1979) e acusou o Irã de envolvimento no ataque do Hamas em Israel em outubro de 2023 para considerar que as atividades do país colocam em risco direto os EUA, as suas bases no estrangeiro e os seus países aliados, pelo que - acrescentou - os EUA não vão "tolerar mais". Sobre o programa nuclear do país, Trump disse que o Irão continua a desenvolvê-lo e que planeja mísseis capazes de atingir os EUA. "Vamos garantir que o Irã nunca obterá a arma nuclear. É uma mensagem muito simples, nunca terá a arma nuclear", afirmou. Dirigindo-se ao povo do Irã, Trump disse para se proteger por agora porque "bombas vão cair em todo o lado" e para depois não deixar passar o que considerou uma oportunidade. "Quando terminarmos tomem o controlo do Governo. [...] Agora é tempo de controlarem o vosso destino", apelou. "Operação Rugido de Leão" Israel batizou a operação militar conjunta com os EUA contra o Irão de "Lion's Roar" (Rugido de Leão), segundo a imprensa local. Numa declaração em vídeo, o primeiro-ministro israelita confirmou hoje o ataque conjunto. Benjamin Netanyahu apelou aos cidadãos de Israel para que nos próximos dias tenham "resiliência e força" e incentivou o povo iraniano a levantar-se contra o regime. A polícia israelita também emitiu um comunicado sobre a operação, garantindo que os seus agentes estão preparados para "todos os cenários" e posicionados em todo o país. A polícia pediu que as pessoas se mantenham vigilantes e não se aproximem de locais de impacto de mísseis. Teerã contra-ataca Por seu lado, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou também o início de uma primeira vaga de ataques com mísseis e drones contra Israel, em retaliação. A força armada que protege o regime teocrático de Teerão disse que se trata da “resposta à agressão do inimigo hostil e criminoso contra a República Islâmica do Irã”. As sirenes antiaéreas foram acionadas em Jerusalém e noutros pontos do centro de Israel, pouco depois de os Estados Unidos e as forças israelitas terem lançado uma série de operações aéreas contra diversos alvos no Irão. Foram registadas explosões na capital iraniana e em várias cidades do país. Tensão e medo aumentam em toda a região A operação militar dos EUA e Israel contra o Irã aumentou os temores de instabilidade em toda a região. O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, divulgou uma declaração após o início dos ataques e exortou todos os libaneses a "agir com sabedoria e patriotismo, colocando os interesses do Líbano e do povo libanês acima de qualquer outra consideração". Salam disse que não aceitaria que ninguém arrastasse "o país para aventuras que ameaçassem a sua segurança e unidade", aparentemente em referência ao grupo armado libanês Hezbollah, apoiado pelo Irão. Entretanto, a Jordânia disse que a sua força aérea estava a realizar missões para proteger o reino e o seu povo. Também se ouviram sirenes na capital, Amã, para testar o nível de preparação da população para ameaças. A União Africana também também pediu prudência, alertando que o conflito pode prejudicar as pessoas no continente. O presidente da Comissão, Mahamoud Ali Youssouf, apelou "à contenção, à desaceleração urgente e ao diálogo sustentado". Este ataque conjunto contra o Irão acontece dois dias depois da última ronda de negociações entre os Estados Unidos e o Irão sobre o programa nuclear iraniano. Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.

Fonte: DW / Deutsche Welle

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