A Justiça do Amazonas condenou sete pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa responsável pelo tráfico de cetamina em Manaus. Entre os condenados estão a mãe e o irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso, encontrada morta em maio de 2024. As penas aplicadas pela 3ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes variam entre 8 anos e 6 meses e 10 anos e 11 meses de reclusão.
Segundo a decisão judicial, houve provas suficientes de que o grupo atuava de forma estruturada na obtenção, distribuição e incentivo ao consumo ilegal da cetamina, medicamento de uso veterinário que pode provocar efeitos alucinógenos quando utilizado por seres humanos.
As investigações apontaram que os envolvidos utilizavam uma rede de salões de beleza e uma organização religiosa como fachada para promover a distribuição da substância. A droga era adquirida de maneira irregular por meio de uma clínica veterinária e repassada a integrantes e pessoas ligadas ao esquema.
Entre os principais condenados estão a mãe de Djidja, apontada pela Justiça como líder da organização, e o irmão da ex-sinhazinha, identificado como responsável pela execução das atividades do grupo. Ambos receberam pena de 10 anos e 11 meses de prisão, em regime inicial fechado.

Também foram condenados um médico veterinário, um personal trainer, uma gerente, um funcionário de clínica veterinária e o ex-namorado de Djidja Cardoso. Parte dos réus continuará presa preventivamente e não poderá recorrer em liberdade. Outros poderão apresentar recurso, desde que cumpram medidas cautelares determinadas pela Justiça, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.
A sentença foi proferida após o processo retornar à primeira instância para correção de falhas relacionadas às provas periciais. Com a regularização dos procedimentos, a Justiça concluiu pela materialidade dos crimes e pela responsabilidade dos condenados.
Durante a investigação, a Polícia Civil do Amazonas informou que a cetamina era utilizada em encontros promovidos pelo grupo sob a justificativa de proporcionar experiências de caráter espiritual. Testemunhas também relataram supostos episódios de cárcere privado e abusos envolvendo pessoas que estariam sob efeito da substância.
Três dos acusados foram absolvidos por insuficiência de provas.
O caso ganhou repercussão nacional após a morte de Djidja Cardoso, encontrada sem vida em maio de 2024. A principal linha investigativa aponta para uma possível overdose de cetamina. Na residência da vítima, policiais apreenderam frascos da substância, seringas e outros materiais relacionados ao uso da droga.
As investigações sobre as circunstâncias da morte de Djidja tiveram desdobramentos que resultaram na identificação e condenação dos integrantes da organização criminosa, considerada responsável pelo fornecimento e distribuição ilegal da substância no Amazonas.