15/07/2026 09:50h - Brasil - Policial

PF aponta propina de R$ 24,6 milhões a políticos e agentes públicos em esquema de fraudes no INSS

Relatório da Operação Sem Desconto indica que pagamentos eram usados para garantir proteção ao esquema, que teria lesado mais de 600 mil beneficiários - Foto: Reprodução

A Polícia Federal (PF) revelou novos detalhes sobre a investigação da Operação Sem Desconto e apontou que um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) teria movimentado pelo menos R$ 24,6 milhões em pagamentos ilícitos destinados a agentes públicos e políticos. As informações constam no primeiro relatório conclusivo da investigação, encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso. O documento reúne **48 indiciamentos** e será analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por decidir se apresenta denúncia à Justiça, solicita novas diligências ou pede o arquivamento do inquérito. PF aponta esquema de proteção institucional Segundo a Polícia Federal, os pagamentos eram tratados internamente pelos investigados com codinomes como "Heróis", "Notáveis" e "Amigos". O relatório afirma que os repasses eram considerados fundamentais para garantir a continuidade das fraudes. De acordo com os investigadores, a corrupção funcionava como mecanismo de proteção institucional, assegurando o funcionamento do esquema criminoso e dificultando sua interrupção, mesmo diante de milhares de reclamações administrativas e ações judiciais relacionadas aos descontos indevidos. Ainda conforme a PF, a fraude teria atingido mais de 600 mil beneficiários do INSS. As investigações apontam que os valores destinados aos agentes públicos eram movimentados por meio de uma rede considerada complexa, envolvendo pessoas físicas, empresas de fachada, depósitos fracionados e operações financeiras destinadas a ocultar a origem do dinheiro. O relatório também cita prestações de contas atribuídas a Carlos Roberto Ferreira Lopes e Cícero Marcelino de Souza Santos, ligados à Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), nas quais aparecem registros dos destinatários dos pagamentos. Ex-presidente do INSS teria recebido R$ 250 mil mensais, diz investigação Entre os citados está o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, identificado nos registros com os codinomes "Italiano", "Itália" ou apenas a letra "I". Segundo a Polícia Federal, após assumir a presidência da autarquia, Stefanutto passou a receber R$ 250 mil por mês, valor que, de acordo com a investigação, estaria relacionado ao aumento de sua influência dentro da estrutura do órgão. O relatório menciona ainda a existência de um cheque de R$ 250 mil destinado ao ex-presidente em outubro de 2022. Outro nome citado na investigação é o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG). Conforme a PF, ele teria sido o agente público que mais recebeu recursos do esquema. A investigação aponta que o parlamentar pode ter recebido pelo menos R$ 14,7 milhões por meio de empresas de fachada utilizadas para ocultar a movimentação financeira. Segundo os investigadores, sua função seria oferecer proteção política ao grupo e atuar na articulação para nomeação de integrantes da alta administração do INSS. Também são mencionados no relatório o ex-procurador do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios da autarquia André Fidelis, apontados como integrantes do grupo que recebia pagamentos recorrentes. Defesas contestam acusações A defesa de Alessandro Stefanutto informou que, após a conclusão do primeiro inquérito, solicitará ao Supremo Tribunal Federal a revogação da prisão preventiva do ex-presidente do INSS. Os advogados sustentam que a manutenção da medida cautelar deve ser reavaliada diante da conclusão desta etapa da investigação. Já a defesa de Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho declarou que não comentará o conteúdo do relatório e ressaltou que o indiciamento representa apenas um ato de natureza investigativa, sem significar reconhecimento de culpa. Agora, caberá à Procuradoria-Geral da República (PGR) analisar o relatório da Polícia Federal e decidir sobre os próximos passos da investigação, que poderá resultar em denúncia formal à Justiça ou em novas diligências antes de eventual ação penal.

Fonte: Portal SGC

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