Polícia indicia duas pessoas por clínica clandestina de abortos após morte de gestante
Investigação aponta que uma mulher morreu e outra perdeu a visão de um olho após procedimentos; local funcionava há pelo menos dez anos - Foto: Reprodução
A Polícia Civil indiciou duas pessoas suspeitas de envolvimento em uma clínica clandestina de abortos que funcionava em uma residência em Arapiraca, no Agreste de Alagoas. Segundo a investigação, uma gestante morreu após um dos procedimentos e outra perdeu a visão de um olho em decorrência de uma infecção generalizada. O caso foi divulgado na quarta-feira (14).
Os investigados não tiveram os nomes divulgados. De acordo com a polícia, uma idosa seria responsável pela realização dos procedimentos, enquanto um homem é apontado como financiador dos abortos.
A mulher foi indiciada por aborto provocado por terceiro com o consentimento da gestante, homicídio culposo e lesão corporal de natureza gravíssima.
Já o homem foi indiciado por coautoria nos crimes relacionados aos procedimentos. Conforme o inquérito, ele teria pressionado uma das vítimas a interromper a gravidez, fornecido medicamentos abortivos e pago R$ 2 mil pelo procedimento.
Clínica funcionava há pelo menos dez anos
De acordo com a Polícia Civil, a clínica funcionava havia pelo menos dez anos na casa da idosa investigada. Os valores cobrados pelos procedimentos variavam entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil.
Durante as investigações, cinco pessoas que passaram pelos procedimentos realizados no local foram identificadas. A polícia tomou conhecimento da atividade após receber denúncias anônimas em 12 de março deste ano.
O 53º Distrito Policial cumpriu mandados no endereço e apreendeu instrumentos cirúrgicos, medicamentos anestésicos e analgésicos, materiais hospitalares e aparelhos celulares.
Após a conclusão, o inquérito foi encaminhado à Justiça e aguarda manifestação do Ministério Público de Alagoas sobre o eventual oferecimento de denúncia.