Rondônia, 04 de dezembro de 2020

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06/10/2020 07:05

Porto Velho

Assassinato covarde de policiais: Mais uma história que se repete por falta de ações das autoridades

Opinião de Primeira por Sérgio Pires

Assassinato covarde de policiais: Mais uma história que se repete por falta de ações das autoridades

Não há provas, mas há muitas suspeitas! E não foi por falta de aviso. Durante anos, enquanto as denúncias se avolumavam, autoridades de todos os Poderes (incluindo-se aí a própria Polícia), faziam de conta que não havia perigo, fechando os olhos para a existência de acampamentos de bandidos. Muitos, aliás, se escondendo sob a falsa fachada de “sem terra”, que há anos fazem o que querem, invadindo propriedades e as tomando na marra, como se estivessem em outro país e nossas leis não os atingissem. Como aliás, raramente os atingiram. A existência de guerrilheiros atuando em regiões da Amazônia, - aqui em Rondônia não é diferente - muitos deles especialistas nesse tipo de ação em países vizinhos, não é e não era segredo para ninguém. As estratégias dessa gente tenebrosa, tiveram, durante mais de duas décadas, apoios de governos irresponsáveis e de setores de várias instituições, que preferiam imaginar que todos os membros dos grupos, eram mesmo de pobres brasileiros, apenas em busca de um pedaço de terra para plantar. Enquanto, escamoteada, parte deles praticava, impunemente, todos os tipos de crimes. Ataques a propriedades, sempre usando armamento pesado; incêndio em casas e lavouras; roubo e matança do gado; sequestro e violência contra fazendeiros: essa sucessão de maldades nunca foi tratada com o peso da lei, como as pessoas de bem esperavam. Nenhuma palavra contra essas excrescências, como a que proíbe crianças dos acampamentos da violenta LCP – Liga dos Camponeses Pobres - frequentarem escolas regulares. Todos imaginamos para que tipo de ação elas são preparadas, Ali não entra Juizado de Menores, como era no passado ou Conselhos Tutelares, como é hoje. Quem tem coragem de enfrentar essa gente?

A tragédia do final de semana foi anunciada. Um tenente foi assassinado covardemente, fuzilado na frente de amigos e parentes e um sargento foi morto também por bandidos. que usaram armamento pesado e feriram outras pessoas. As ligações de alguns grupos de sem-terra com a guerrilha e a proximidade com criminosos, que se escondem também nos acampamentos ou perto deles, servem, claro, para que a bandidagem aja nas sombras. A reação das forças de segurança, mesmo tardias, ao menos apontam para um novo jeito de combater esses foras da lei, muitos travestidos de pobres camponeses e outros tantos, que são apenas levados, como gado, de um lado para o outro, com promessas que jamais serão cumpridas. Pode ser que as denúncias feitas, por exemplo, pela família do falecido Sebastião Conti, que teve suas terras invadidas e propriedade destruídas várias vezes e as de fazendeiros que foram ameaçados, sequestrados, torturados por membros dessa gangue de malfeitores, infiltrados em movimentos dos sem terra, ao menos sirvam para que, a partir de agora, eles sejam tratados como merecem: como bandidos!

CONSTERNAÇÃO NO SEPULTAMENTO DOS POLICIAIS

Foi um dia de consternação e tristeza na Capital. Depois que o helicóptero da PM observou um grupo de mais de uma centena de pessoas, levando bandeiras vermelhas e as sacudindo, quase que como um deboche às autoridades, na área onde houve o conflito armado, os PMs covardemente assassinados eram transferidos para Porto Velho, para serem sepultados. Na manhã da segunda-feira, por volta das 11 horas da manhã, o cortejo atravessou a avenida Jorge Teixeira (BR 319) em direção à BR e ao cemitério onde ambos seriam enterrados. No domingo à tarde, numa entrevista coletiva que teve a presença do governador Marcos Rocha, que é PM, a promessa foi de que os responsáveis serão presos e processados. A Associação de Praças da Polícia Militar emitiu nota, considerando que as medidas tomadas são frágeis e exigindo ação mais dura por parte do governo. Até agora, a participação de sem terras tem sido excluída pelo governo, mas as investigações mais profundas certamente apontarão, ao menos, para grupos de alguma forma próximo aos que estão invadindo parte da fazenda onde os crimes aconteceram.

CHRISÓSTOMO DESAUTORIZADO A TRATAR COM SEM TERRA

Ainda sobre a questão dos sem terra e invasores de fazendas, quem caiu numa saia justa, essa semana, foi o deputado federal Coronel Chrisóstomo, que se apresenta como “o único verdadeiro representante do Presidente Bolsonaro em Rondônia”, o que, obviamente, é uma bazófia. Dias atrás, Chrisóstomo foi ajudar o candidato a prefeito de Ariquemes, Tiziu Jidalias, em sua campanha. Juntos, teriam visitado dois acampamentos de sem terra. Num deles, Christósmo teria prometido resolver o problema, já que a terra tem que ser devolvida aos seus legítimos donos, por decisão judicial, numa reintegração de posse. Bastou para que o deputado, que alardeia ser bolsonarista, tenha sido suspeito de ter dado apoio a invasores, para que o assunto bombasse nas redes sociais. O caso foi tão sério que acabou no Ministério da Agricultura, onde o secretário nacional de assuntos fundiários, Luiz Nahban Garcia, homem da confiança pessoal do Presidente da República, divulgasse um vídeo desautorizando Chrisóstomo a falar em nome do governo nas questões agrárias e de invasão de propriedades. Entidades produtivas do Estado também emitiram duras notas de repúdio ao parlamentar do PSL.

DEPUTADO NEGA E DIZ QUE VAI ESCLARECER TUDO

A situação ficou pior ainda quando um empresário e produtor rural, vítima de sequestro, que continua sendo ameaçado de morte, se revoltou e divulgou um áudio atacando fortemente o parlamentar, porque ele teria dado apoio exatamente a grupos de invasores. O fazendeiro, que teve que usar muletas durante logo tempo, porque teria sido atacado até a marteladas pelos bandidos, considerou uma agressão a quem tem sido vítima das invasões e da violência, o fato do Coronel ter participado de reunião numa área invadida. O áudio é pesadíssimo e ataca duramente o Coronel, que se diz representante do bolsonarismo. Chrisóstomo, que nega ter estado no assentamento denunciado, apesar de uma foto em que ele aparece ao lado de Tiziu, comprove que ele esteve sim. Ainda no final de semana, o deputado divulgou uma nota oficial, negando tudo e afirmando que “nunca me posicionei a favor de invasores de terras, nem incentivei qualquer tipo de delito ou violência”. Avisou que estará no Ministério da Agricultura, nessa semana, “para explicar toda a situação”. Depois de se dizer defensor dos produtores rurais, Chrisóstomo concluiu que “tudo será esclarecido o mais rápido possível”. O áudio do empresário rural continua bombando nas redes sociais.

CACOAL SEM PREFEITO. JAQUELINE CASSOL APOIA FÚRIA

Deve ser decidido ainda nessa semana, quem será o novo prefeito de Cacoal. A prefeita Glaucione Rodrigues continua presa, mas, mesmo que seja solta, não poderá assumir novamente, já que está 120 dias afastada das atividades públicas, por decisão judicial. O presidente da Câmara, Waldomiro Corá, conhecido como Corazinho, também caiu fora. Ele seria o sucessor natural, já que Cacoal não tem vice-prefeito. O deputado Cirone Deiró, eleito vice, renunciou automaticamente ao cargo, quando assumiu sua cadeira na Assembleia Legislativa. Corá, que poderia assumir o comando da cidade por menos de três meses, já comunicou oficialmente à Justiça de que não vai topar. Candidato à reeleição, ele prefere lutar por mais um mandato de quatro anos como vereador. Um juiz da cidade poderá ser nomeado interinamente para o cargo. Ainda não se sabe se Glaucione ainda manterá sua candidatura à reeleição, mesmo depois do escândalo da operação que prendeu a ela, ao seu marido e a outros três prefeitos. Por enquanto, o favorito é o deputado Adailton Fúria. Ele conseguiu, oficialmente, o apoio da deputada federal Jaqueline Cassol, do PP, agora uma importante aliada. Jaqueline reside em Cacoal e tem um eleitorado fiel na cidade.

UM DOMINGO SEM NENHUMA MORTE POR CORONAVÍRUS NO ESTADO

O Boletim 200 da Sesau, no domingo, trouxe um pequeno alento na luta diária que todos travamos contra o coronavírus: nenhuma morte foi registrada em 24 horas. Foi sem dúvida a melhor notícia entre todos os boletins da saúde, sobre a doença, desde que a primeira morte foi detectada, no início de maio. Ó bitos igual a zero, animou um pouco, embora se saiba que a doença ainda se espalha e já tirou, até agora, nada menos do que 1.375 rondonienses tenham perdido a vida. A segunda-feira ainda teve um número baixo de mortes (quatro), uma delas em Porto Velho. Tem caído também o número de novos casos de contaminação: foram 47 no domingo e 160 na segunda. Os números apontam que tivemos já 66.783 contaminados; 58.943 recuperados; 6.565 pessoas em tratamento ou quarenta e 221 internados. Quase 211 mil testes já foram realizados. Em Porto Velho e várias cidades do Estado, tem se detectado uma série infindável de irresponsabilidades. Na Capital, bares lotados e poucos usando máscara foram a tônica, lamentavelmente. Tanto em Porto Velho quanto no interior, os banhos estiveram lotados. Rolou bebida e faltou cuidado. É sempre bom lembrar que, para muita gente, a Covid 19 é mortal.

MDB BEM À FRENTE, PSB E DEM: OS TRÊS QUE TEM MAIS CANDIDATOS

Um não é surpresa. O outro certamente é. O MDB é o maior partido de Rondônia e o que terá, nessa próxima eleição, o maior número de candidatos a Prefeito, Vice e Vereadores. Serão 530 emedebistas que vão concorrer. Não há surpresa, porque há muito tempo, também quando eram PMDB, o partido se consolidou como a sigla mais poderosa do Estado, com lideranças como o senador e ex governador Confúcio Moura e o presidente regional, o deputado federal Lúcio Mosquini. A surpresa vem com o segundo lugar. Trata-se do PSB, sob o comando regional do deputado Mauro Nazif e que, não fossem os dados oficiais do TRE, não se acreditaria que está nessa posição, com 444 candidatos no total. O terceiro é o DEM, do senador Marcos Rogério, com 413 nomes concorrendo. Em quarto lugar vem o PDT, de outro senador, Acir Gurgacz. Logo atrás vem o Republicanos, o antigo PRB, que tem 380 nomes na disputa deste novembro. O PSD, de Expedito Neto, vem logo depois, com 350 candidatos; o sétimo é o Podemos, de Léo Moraes, com 294 nomes. O PP de Jaqueline Cassol, oitavo colocado no ranking de candidaturas: 289. O nono é o PT (sim, o Partido dos Trabalhadores de Lula), com 275 candidatos e o décimo o PTB, aquele de Roberto Jefferson, com 270 candidaturas. O PSDB de Hildon Chaves tem 258 postulantes e o Patriotas tem 204. Como curiosidade o PSL, que era forte no Estado até o rompimento de Bolsonaro, está na 13ª posição.

O CURIOSO CASO DA MÁQUINA DE ASFALTO QUE SUMIU

A campanha política na Capital já teve ao menos um lance diferente: o DER mandou recolher uma de suas máquinas, que estavam a disposição da Prefeitura, para fazer asfalto na cidade. O caso seria cômico, não fosse sério. No final de semana, a Prefeitura registrou Boletim de Ocorrência na polícia, denunciando que a máquina teria sido roubada. Simplesmente levada. Menos de um dia depois, outra versão: na verdade, o equipamento foi levado pelo DER, que buscou o que era seu, mas sem sequer comunicar a decisão à Prefeitura. “Chiadeira” geral pelos lados de Hildon Chaves e sua turma, alegando que a decisão foi em função da disputa política, já que o grupo palaciano, liderado pelo próprio governador Marcos Rocha, aderiu em peso à candidatura de Breno Mendes, do Avante. O DER não comentou o assunto. O prefeito Hidon Chaves foi à algumas mídias protestar contra a decisão do governo, que, segundo ele contraria os acordos assinados. O Palácio Rio Madeira/CPA não comentou o assunto, ao menos até o final da segunda-feira.

PERGUNTINHA

Você votaria novamente em políticos pegos com a mão na massa, usando seus cargos para enriquecimento pessoal ou considera que uma grande punição seria tirá-los definitivamente da vida pública, pelo voto?


Fonte:Sérgio Pires





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