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20/10/2026 17:52h - Brasil - Geral

Empresário com contrato na Petrobras deu cargo de conselheiro a Lulinha

Mensagens revelam negociação para incluir o filho de Lula que buscava captar recursos para projetos ambientais; caso é investigado pelo STF - Foto: Divulgação

O empresário Léo Slezynger, ligado à petroquímica Unigel, convidou Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para integrar o conselho de uma organização ambiental criada por ele. A negociação envolvia a tentativa de captar recursos para iniciativas ambientais e ocorreu no mesmo período em que a Unigel foi beneficiada por um contrato com a Petrobras. As conversas, divulgadas pelo portal Metrópoles, mostram que a lobista Roberta Luchsinger, que se apresentava como sócia de Lulinha, incentivou Slezynger a oferecer um cargo remunerado ao filho do presidente. Em uma das mensagens, ela descreveu a proposta como uma espécie de troca de favores, utilizando a expressão "toma lá, dá cá". O caso está relacionado a uma investigação sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo a Unigel. O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Flávio Dino. Conversas mencionam recursos dos Estados Unidos Em abril de 2023, Luchsinger enviou a Slezynger uma notícia sobre o anúncio do então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de que o país buscaria destinar US$ 500 milhões ao Fundo Amazônia ao longo de cinco anos. Nas mensagens, a lobista incentivou o empresário a estruturar uma iniciativa para captar parte dos recursos. Ela também sugeriu que Lulinha fosse convidado para participar do conselho da organização, com remuneração pelo cargo. Em uma das conversas, Luchsinger argumentou que a participação do filho do presidente poderia favorecer a iniciativa junto ao governo federal. A mensagem levantou a possibilidade de que a relação familiar influenciasse decisões sobre o destino de recursos. Do valor anunciado pelos Estados Unidos, US$ 100 milhões foram aprovados pelo Congresso americano e efetivamente repassados, segundo as informações publicadas na reportagem original. Organização previa conselho com nomes conhecidos As mensagens indicam que Slezynger planejava criar a Brasil Climate Change (BRACC), organização voltada a questões ambientais e à sustentabilidade. Em maio de 2023, ele compartilhou com Luchsinger um diagrama com a composição prevista para a entidade. A proposta incluía Lulinha, a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e Roberta Luchsinger no chamado conselho estratégico. O empresário Roberto Klabin e o próprio Slezynger apareceriam no conselho empresarial, enquanto a então ministra e deputada federal Sônia Guajajara integraria o conselho técnico. Ao ser consultado sobre a participação, Lulinha demonstrou cautela e afirmou que seria necessário verificar se ministros poderiam ocupar cargos em entidades privadas. Slezynger respondeu que a questão poderia ser analisada posteriormente. A organização chegou a ter um site, criado em abril de 2025, e planejou realizar um evento em Paraty, no Rio de Janeiro, naquele ano. A atividade, porém, foi adiada. Mensagens também citam contrato com a Petrobras Outro ponto mencionado na reportagem é o contrato firmado entre a Unigel e a Petrobras para o processamento de gás natural. O acordo acabou sendo anulado por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que considerou o negócio prejudicial à estatal. Em julho de 2023, Slezynger enviou uma mensagem a Lulinha agradecendo pelo trabalho que ele teria realizado junto ao presidente Lula em favor da empresa. Na resposta, Lulinha afirmou que todos estavam torcendo pelo resultado e que esperava que o empresário conseguisse concluir a iniciativa. As mensagens integram o contexto investigado pelas autoridades para esclarecer se houve influência indevida nas relações entre a empresa, o governo federal e pessoas próximas ao presidente. Caso segue sob investigação O inquérito em andamento no STF apura suspeitas de possível tráfico de influência relacionado à Unigel. A existência da investigação não significa que os envolvidos tenham sido condenados ou que as suspeitas estejam comprovadas. As conversas divulgadas apontam para negociações sobre a participação de Lulinha na organização ambiental e mencionam a expectativa de aproximação com o governo federal. Cabe às autoridades apurar se houve irregularidade, benefício indevido ou interferência em decisões públicas.

Fonte: Metrópoles

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