13/09/2026 11:13h - Estados Unidos - Mundo

Americanos chiando: Inflação nos EUA acelera em agosto com alta dos preços da gasolina

Índice de preços ao consumidor subiu 3,4% no mês passado; resultado aumenta pressão sobre o Fed para que aumente a taxa básica de juros na próxima semana.

WASHINGTON - A inflação nos Estados Unidos acelerou no mês passado com a alta repentina dos preços da gasolina, na esteira da retomada dos conflitos no Oriente Médio, ressaltando os desafios de acessibilidade financeira que estão na mente de muitos eleitores, agora que faltam apenas sete semanas para as eleições de meio de mandato. O índice de preços ao consumidor subiu 3,4% em agosto em comparação com o mesmo período do ano anterior, informou o Departamento do Trabalho nesta sexta-feira, 11, o mesmo valor registrado em julho. Mas, em termos mensais, a inflação acelerou, com os custos subindo 0,4% de julho a agosto, ante um aumento de apenas 0,1% no mês anterior. Os números mostram que a inflação permanece teimosamente elevada, mais de cinco anos depois que os preços dispararam pela primeira vez, à medida que a economia saía da pandemia da covid. O relatório divulgado nesta sexta-feira aumenta a pressão sobre os responsáveis pelo combate à inflação no Federal Reserve para que aumentem a taxa básica de juros na reunião da próxima semana, o que poderia elevar os custos das hipotecas e dos financiamentos de automóveis nos próximos meses. O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, e outras autoridades “deram a entender que as taxas de juros só poderão permanecer inalteradas se a desinflação continuar, e o relatório de agosto divulgado hoje não confirmou isso”, afirmou Kathy Bostjancic, economista-chefe da Nationwide. O agravamento da inflação não se deve apenas ao aumento dos preços da gasolina. Os preços de eletrodomésticos, reparos de carros e serviços de telefonia móvel também subiram no mês passado. E os economistas temem que o aumento no preço do combustível possa se espalhar para outros setores da economia. Por acordo com os novos dados, e dispararam mais de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior. Excluindo as categorias voláteis de alimentos e energia, os preços básicos ficaram 2,4% mais altos em agosto do que no mesmo mês do ano anterior, uma ligeira queda em relação aos 2,5% registrados em julho e a terceira queda consecutiva. Porém, em termos mensais, os preços básicos subiram 0,3% de julho a agosto, o maior aumento desde abril. O aumento mensal dos preços básicos, maior do que o esperado, provavelmente encorajará as autoridades do Fed que têm pressionado por taxas de juros mais altas. Os investidores de Wall Street agora estimam uma probabilidade de mais de 80% de que o Fed aumente as taxas em 16 de setembro, de acordo com o CME Fedwatch, um salto de 10 pontos em relação à quinta-feira, 10. O governo Trump busca amenizar as preocupações dos eleitores com os preços altos e o aumento das taxas de juros. O presidente Donald Trump prometeu, na quarta-feira, pagamentos de US$ 5 mil a cada adulto americano caso o Partido Republicano mantenha a maioria no Congresso, uma medida que exigiria aprovação do Congresso e poderia alimentar a inflação. Além disso, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, intensificou as recompras de títulos do Tesouro em um esforço para manter as taxas de juros de longo prazo mais baixas. No entanto, na quinta-feira, o rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos atingiu a maior alta. O que ficou mais caro Os preços da gasolina subiram 3,9% apenas de julho a agosto, segundo o relatório divulgado nesta sexta-feira, ficando mais de 27% acima do registrado no mesmo período do ano anterior. Os preços nos postos de gasolina subiram ainda mais neste mês, o que significa que a inflação provavelmente se agravará no próximo mês. O preço médio nacional de um galão de gasolina na sexta-feira saltou mais de 7% em relação ao mês anterior, chegando a US$ 4,30. Além do aumento nas passagens aéreas, os preços dos quartos de hotel subiram 2,4% apenas de julho a agosto e estão 3,2% mais caros do que há um ano. Serviços de telefonia móvel, eletrodomésticos e reparos automotivos também ficaram mais caros no mês passado. Os preços de roupas e mantimentos permaneceram inalterados de julho a agosto, proporcionando algum alívio aos consumidores, embora os ovos tenham subido 2,9% no mês passado. Eles ainda estão bem abaixo dos níveis do ano anterior. Choque pontual ou algo a mais? Muitos economistas e autoridades do Federal Reserve há muito consideram os preços mais altos da gasolina como um dos vários choques “pontuais” que estão elevando a inflação, juntamente com as tarifas e o aumento dos investimentos em centros de dados de IA. Há meses, a esperança é que, à medida que a guerra. No entanto, há poucos sinais de que a guerra com o Irã esteja se acalmando, e até mesmo Trump afirmou que os preços da gasolina não recuarão até depois das eleições de meio de mandato, em novembro. E, embora a disputa comercial de Trump com o Canadá vá afetar um pequeno número de importações, isso serve como um lembrete de que as tarifas continuam sendo uma ameaça capaz de elevar outros custos. “Isso não é algo pontual”, disse Kathy Bostjancic, economista-chefe da Nationwide. “Não está claro quando as tensões no Oriente Médio vão se acalmar. Parece que essa pode ser uma perturbação prolongada.” Embora os preços básicos estejam subindo mais lentamente do que os preços gerais, o aumento dos preços do petróleo e do gás pode se espalhar por mais setores da economia. O aumento do preço do combustível de aviação provavelmente elevará ainda mais as tarifas aéreas, e o diesel mais caro aumentará os custos de transporte, o que pode encarecer mantimentos e outros produtos transportados por trem e caminhão. Na quinta-feira, um relatório sobre preços no atacado mostrou um salto nos preços dos produtos químicos, provavelmente como resultado do aumento do preço do petróleo. Espera-se que o Fed aumente os juros O relatório divulgado nesta sexta-feira levou muitos economistas a prever um aumento das taxas na próxima reunião do Fed, nos dias 15 e 16 de setembro. O presidente Warsh deu a entender que estava inclinado a aumentar as taxas em um discurso de grande repercussão há duas semanas, mas não se comprometeu a fazê-lo em uma data específica. Warsh afirmou que não quer revelar seus próximos passos, deixando alguma incerteza à medida que a reunião se aproxima. O Fed manteve sua taxa básica inalterada em sua última reunião de política monetária, no final de julho, mas três autoridades votaram a favor de um aumento de um quarto de ponto, o que teria elevado a taxa de 3,6% para cerca de 3,9%.

Fonte: Estadão

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