Coreia do Sul anuncia que os mais de 300 nacionais detidos pelo ICE nos EUA voltarão à Coreia
Imigrantes são detidos em fábrica localizada em Ellabell, na Geórgia (EUA) Foto: Bureau of Alcohol, Tobacco, Firearms and Explosives via The New York Times
SEUL, Coreia do Sul (AP) — O governo da Coreia do Sul afirmou neste domingo, 7, que os mais de 300 trabalhadores sul-coreanos detidos após uma operação de imigração em uma fábrica da Hyundai, na Geórgia, Estados Unidos, serão libertados e levados para casa.
Kang Hoon-sik, chefe de gabinete do presidente Lee Jae Myung, afirmou que a Coreia do Sul e os EUA finalizaram as negociações sobre a liberação dos trabalhadores.
Ele afirma que a Coreia do Sul planeja enviar um avião fretado para trazer os trabalhadores de volta para casa assim que as etapas administrativas restantes forem concluídas.
Segundo informações da mídia local, o Ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul, Cho Hyun, deve viajar para os país norte-americano nesta segunda-feira, 8, para tratar deste processo.
Operação contra imigração
Na sexta-feira, 5, autoridades de imigração dos EUA informaram que detiveram 475 pessoas em uma operação na fábrica ainda em construção da Hyundai e da LG Energy Solution, na Geórgia. O espaço será utilizado para a produção de baterias para veículos elétricos.
De acordo com Cho, mais de 300 sul-coreanos estavam entre os detidos da operação.
Lee defende que os direitos dos cidadãos sul-coreanos e as atividades econômicas de empresas sul-coreanas não devem ser injustamente violados durante os procedimentos de aplicação da lei nos EUA.
O Ministério das Relações Exteriores também emitiu um comunicado expressando “preocupação e pesar” pelo caso e enviou diplomatas ao local.
No sábado, 6, o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) registrou uma caravana de veículos se aproximando do local e, em seguida, agentes federais orientando os trabalhadores a se alinharem do lado de fora.
Alguns detidos foram obrigados a levantar as mãos contra um ônibus enquanto eram revistados e, em seguida, algemados pelas mãos, tornozelos e cintura. A maioria dos presos foi levada para um centro de detenção de imigrantes em Folkston, Geórgia, perto da divisa com a Flórida.
Ninguém foi acusado de qualquer crime até agora, disse Steven Schrank, o principal agente da Divisão de Investigações de Segurança Interna da Geórgia, durante uma entrevista coletiva na sexta-feira, ao acrescentar que a investigação está em andamento.
Ele diz que alguns dos trabalhadores detidos cruzaram ilegalmente a fronteira dos EUA, enquanto outros entraram no país legalmente, mas tinham vistos vencidos ou entraram com isenção de visto que os proibia de trabalhar.
Outra afirmação do agente é que a ação foi resultado de uma investigação de meses sobre supostas contratações ilegais e se tratou da “maior operação em um único local” na história de duas décadas da agência.
Documentos judiciais indicam que os promotores não sabem quem contratou os chamados “centenas de estrangeiros ilegais”. “A identidade da empresa ou contratante que contratou os estrangeiros ilegais é atualmente desconhecida”, escreveu o escritório do procurador dos EUA em um documento judicial.
Kang, chefe de gabinete presidencial sul-coreano, afirmou que a Coreia do Sul pressionará para revisar e aprimorar os sistemas de vistos para aqueles que viajam aos EUA a negócios para projetos de investimento.
Relação com a Coreia do Sul
A iniciativa foi a mais recente de uma série de operações em locais de trabalho conduzidas como parte da agenda de deportações em massa do governo Trump.
Este caso, porém, chama atenção pelo grande porte. Autoridades locais consideram a fábrica alvo como o maior projeto de desenvolvimento econômico do estado.
Além disso, o ataque surpreende porque a Coreia do Sul é um aliado dos Estados Unidos. Em julho, por exemplo, o país asiático concordou em comprar 100 bilhões de dólares em energia americana e investir 350 bilhões de dólares nos EUA em troca da redução das tarifas americanas.
Há cerca de duas semanas, o presidente Donald Trump e Lee realizaram sua primeira reunião em Washington.
A Hyundai informou que nenhum funcionário próprio foi detido e que revisará práticas de fornecedores e subcontratados para garantir cumprimento da legislação americana. A LG Energy Solution afirmou estar “monitorando de perto” a situação./COM INFORMAÇÕES DA AP