07/10/2026 12:27h - Rio de Janeiro - Policial

Fiocruz encontra cocaína em rios do Rio de Janeiro; níveis superam estudos internacionais

Pesquisa identificou cocaína e seu principal derivado em cinco rios que deságuam na Baía de Guanabara - Foto: Reprodução

Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou a presença de cocaína e de seu principal derivado, a benzoilecgonina, em cinco rios da capital e da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Os níveis de contaminação encontrados pelos pesquisadores foram superiores aos registrados em estudos semelhantes realizados na Bélgica, na Espanha e nos Estados Unidos. Os rios analisados deságuam na Baía de Guanabara. O estudo contou ainda com pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Os resultados foram publicados no fim de setembro na revista científica Aquatic Toxicology. Amostras foram coletadas durante um ano As equipes fizeram coletas mensais de água entre julho de 2022 e junho de 2023. Ao todo, foram analisadas 60 amostras. Apenas uma não apresentou cocaína, enquanto todas continham benzoilecgonina, substância eliminada pela urina após o organismo metabolizar a droga. A maior concentração foi registrada durante o período chuvoso, entre outubro e março. O pico ocorreu em janeiro, o que, segundo os pesquisadores, pode estar relacionado ao aumento do consumo da substância durante as férias e períodos de festas. Na maioria das amostras, a quantidade de benzoilecgonina era maior que a de cocaína. Para os pesquisadores, o resultado indica que os esgotos podem estar levando resíduos eliminados pelos usuários até os rios. Em apenas uma amostra, a concentração de cocaína foi superior à do derivado. Segundo o estudo, essa diferença pode indicar um possível ponto de descarte direto da droga. Contaminação pode afetar organismos aquáticos Os pesquisadores também alertam para possíveis impactos da presença dessas substâncias nos rios. A exposição à cocaína e à benzoilecgonina pode afetar organismos aquáticos e estar associada a aumento de mortes, deformações e alterações nos sistemas cardíaco e neurológico. Diante dos resultados, o estudo recomenda que a cocaína e a benzoilecgonina sejam incluídas em programas de monitoramento da qualidade da água e de avaliação de riscos ecológicos, principalmente em ambientes aquáticos de regiões altamente urbanizadas.

Fonte: Metrópoles

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