Variações na pressão aumentam risco de morte e AVC, sugere estudo
Oscilações na pressão ao longo do tempo elevam risco de morte e AVC, mesmo em pessoas com níveis médios dentro do recomendado - Foto: Freepik
As oscilações na pressão arterial ao longo do tempo podem estar associadas a maior risco de morte e de acidente vascular cerebral (AVC). A conclusão vem de uma análise com mais de 57 mil participantes do UK Biobank, no Reino Unido.
O estudo acompanhou os voluntários por cerca de cinco anos e avaliou como a pressão variava entre diferentes consultas. Os resultados foram apresentados na reunião anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, realizada em Milão, que acontece entre os dias 28 de setembro e 2 de outubro.
O que mostram os dados
Os pesquisadores observaram que quanto maior a variação da pressão entre as medições, maior foi o risco de morte por qualquer causa. Essa relação apareceu em diferentes formas de medir a pressão, como a sistólica e a diastólica, e se manteve mesmo após considerar fatores como a média da pressão e os níveis de glicose no sangue.
A cada aumento na variação da pressão sistólica, o risco de morte cresceu 11%. No caso da pressão diastólica, o aumento foi de 8%.
As oscilações também foram associadas ao risco de AVC. A probabilidade do evento foi maior entre pessoas com maior variação da pressão diastólica e da pressão média ao longo do tempo.
Relação com diabetes
O estudo também analisou a combinação entre variação da pressão e níveis de açúcar no sangue. Pessoas com diabetes tipo 2 e maior oscilação da pressão sistólica apresentaram risco quase três vezes maior de morte em comparação com aquelas com glicose normal e pressão mais estável.
Entre participantes com pré-diabetes, a combinação com maior variação da pressão também foi associada a aumento do risco.
Segundo os autores, esses resultados não permitem separar completamente o efeito de cada fator, já que envolvem tanto a glicose quanto a pressão.
Como o estudo foi feito
A pesquisa incluiu 57.611 pessoas com idade média de 55 anos. Todas tiveram a pressão medida no início e em pelo menos uma consulta posterior. Os cientistas analisaram o quanto esses valores mudaram entre as visitas.
Durante o acompanhamento, 571 participantes tiveram AVC e 1.460 morreram. Também foram avaliados casos de demência, mas não houve associação consistente com a variação da pressão.
Os autores destacam que o estudo mostra uma associação, mas não prova que as oscilações da pressão causem diretamente esses problemas. Ainda assim, os dados indicam que acompanhar não só a média, mas também a estabilidade da pressão ao longo do tempo pode ajudar a identificar pessoas com maior risco.