Estudante que alegou insanidade entendia gravidade do atropelamento e morte de idoso, diz laudo
Perícia foi determinada após pedido da defesa de Vitória Caroline, que alegou a necessidade de avaliar o estado de saúde mental da estudante no momento do crime - Foto: Arquivo pessoal
O laudo psiquiátrico de Vitória Caroline Marangoni Schneider, estudante acusada de atropelar e matar o idoso Odair Brustolin, de 68 anos, concluiu que ela tinha capacidade de entender que o que fazia era errado e a gravidade do crime. O exame foi solicitado pela defesa, que alegou a necessidade de avaliar o estado de saúde mental da estudante no momento do crime.
O laudo foi aprovado na quarta-feira (26), no processo que corre na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Porto Velho.
Vitória foi denunciada pelo Ministério Público de Rondônia (MP-RO) por homicídio qualificado. Segundo o MP-RO, a atitude da acusada foi "totalmente desproporcional" a uma "reação espontânea" da vítima.
➡️Contexto: Segundo a denúncia, a estudante bateu o próprio carro no portão do condomínio onde morava e começou a discutir com moradores. Odair, que era vizinho, passou pelo local, riu ao ver a confusão e disse: “vixe". Essa reação foi o que deu início a toda ação da acusada.
A perícia foi determinada após pedido da defesa de Vitória Caroline, que alegou a necessidade de avaliar o estado de saúde mental da estudante no momento do crime. O exame foi autorizado pela Justiça durante a audiência de custódia realizada após a prisão da acusada.
O laudo concluiu que Vitória tinha capacidade de entender que sua conduta era ilegal no momento do crime. Os peritos também apontaram que ela reconhecia, ainda que de forma parcial e fragmentada, a gravidade de sua conduta e consequências.
O crime
De acordo com o MP-RO, após xingar Odair, tentar invadir a casa dele e arremessar garrafas de vidro contra o imóvel da família, Vitória prometeu que voltaria: "Vocês vão ver o que vou fazer".
Minutos depois, a motorista retornou de carro e parou em frente à residência da vítima. Aos gritos, passou a ameaçar o idoso de morte e ordenou que Odair e os familiares se ajoelhassem na calçada e pedissem perdão.
Em uma tentativa de acalmar a motorista, os familiares chegaram a pedir desculpas. Odair, no entanto, tentou explicar à vizinha que não conseguiria atender à ordem de se ajoelhar porque sofria de problemas físicos nos joelhos.
A resposta de Vitória Caroline, registrada na denúncia, foi: “Não vai? Então toma.”
Após proferir a frase, a denunciada entrou no veículo, acelerou o motor, engatou a marcha à ré para tomar distância e avançou contra a casa.
O carro arrombou o portão e invadiu a propriedade, atingindo o idoso. Odair Brustolin foi prensado contra a parede de um banheiro na área externa da residência.
Após o crime, Vitória fugiu, mas foi presa em flagrante horas depois pela Polícia Militar. Ela aguarda o julgamento presa.