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10/10/2026 13:14h - Rondônia - Política

Delegado Camargo fala de fé, relata pressão na ALE, exalta Léo Moraes e promete cobrar resultados

Vice-governador eleito revelou bastidores da vitória no primeiro turno, falou sobre prioridades do futuro governo e se emocionou ao explicar por que raspou a cabeça e a barba após a eleição - Foto: Reprodução

O vice-governador eleito de Rondônia, Rodrigo Camargo (Podemos), revelou que chegou a ser advertido de que não encontraria espaço em partidos políticos para disputar outra eleição, atribuiu ao prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, um papel decisivo em sua permanência na vida partidária e antecipou que pretende manter uma postura de cobrança por resultados no governo de Marcos Rogério (PL). As declarações foram feitas em entrevista exclusiva ao jornalista Vinícius Canova, durante uma edição especial do RD Entrevista, programa realizado pelo Rondônia Dinâmica em parceria com o Informa Rondônia. Ainda deputado estadual, Camargo também abordou os problemas da saúde pública, os bastidores da campanha vencedora, a composição política da futura administração e sua relação com a fé. Em um dos momentos mais pessoais da conversa, chegou a se emocionar e verteu lágrimas de maneira contida ao explicar o significado religioso de ter raspado a cabeça e a barba na noite da eleição. Um dos episódios mais contundentes apresentados pelo parlamentar envolve uma reunião realizada no 13º andar da Assembleia Legislativa de Rondônia. Segundo Camargo, ele foi chamado para uma conversa com integrantes do meio político depois de ter votado contra uma proposta relacionada ao ICMS. Na ocasião, conforme seu relato, recebeu um aviso sobre as consequências que enfrentaria por contrariar o posicionamento dos demais parlamentares. "Camargo, aproveite o seu mandato, porque você é deputado de um mandato só", afirmou o vice-governador eleito, reproduzindo as palavras que disse ter ouvido naquele encontro. De acordo com sua narrativa, os interlocutores demonstraram insatisfação com a repercussão política de seu voto. Camargo contou que foi responsabilizado pela exposição dos demais deputados perante a população, especialmente porque, segundo ele, havia sido o único a se posicionar contrariamente à matéria. O parlamentar afirmou ainda que os participantes da reunião indicaram que ele encontraria dificuldades para conseguir legenda em uma disputa futura, uma vez que os partidos estariam sob influência de outros integrantes da Assembleia. "Você expôs essa casa ao ter votado contra o ICMS, o único que votou contra", relatou, ao recordar outro trecho da conversa. O vice-governador eleito não identificou os participantes da reunião nem informou quando exatamente o episódio aconteceu. Ao comentar sua reação, afirmou que não se deixou abalar pela advertência. Para Camargo, a experiência fortaleceu sua convicção de que a trajetória política não deveria depender exclusivamente das decisões de outros parlamentares. Foi nesse contexto que surgiu o nome de Léo Moraes. Camargo contou que mantém uma amizade antiga com o prefeito de Porto Velho, iniciada antes de sua entrada na política. A aproximação, segundo ele, ocorreu por intermédio da trajetória profissional de ambos e da ligação com a Polícia Civil, já que o pai de Moraes também era delegado. Antes de disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa, Camargo procurou o então amigo para pedir aconselhamento e recebeu incentivo para participar da eleição. Anos depois, diante das dificuldades que afirmou estar enfrentando dentro da Assembleia, voltou a procurar Léo Moraes. O prefeito, conforme o relato, ofereceu a estrutura do Podemos para que Camargo continuasse sua trajetória política, com a possibilidade de disputar diferentes cargos, de deputado estadual a governador. O parlamentar atribuiu a essa iniciativa uma importância fundamental para sua continuidade na política. Ao descrever o período, comparou a situação de isolamento que dizia enfrentar com um campo de batalha no qual precisava encontrar proteção. "Eu estava em campo aberto, me deu abrigo", declarou. Camargo agradeceu publicamente ao prefeito por sua atuação e afirmou que o acolhimento recebido foi determinante para sua chegada ao Podemos. Também fez questão de destacar que, apesar dos episódios de pressão relatados, não mantém ressentimentos contra os envolvidos. "Mas eu não guardo rancor nisso, nenhum, cara", afirmou. A relação com Léo Moraes ganhou outro capítulo durante a construção da candidatura de Marcos Rogério ao Governo de Rondônia. Camargo confirmou que sua presença na chapa majoritária ocorreu por indicação do prefeito de Porto Velho, posteriormente aceita pelo candidato a governador. Na entrevista, dirigiu agradecimentos aos dois pela confiança e pela oportunidade de participar do projeto eleitoral. A escolha, segundo Camargo, enfrentou críticas nos bastidores. O parlamentar relatou que adversários e observadores políticos consideravam arriscada a reunião de três personalidades de posicionamento firme, referindo-se a Marcos Rogério, Léo Moraes e a ele próprio. Entre as avaliações que circulavam, segundo o vice-governador eleito, estava a possibilidade de conflitos internos capazes de prejudicar a campanha e, posteriormente, a administração. Camargo contou que algumas pessoas chegaram a comparar o grupo a uma matilha, sugerindo que seus integrantes acabariam entrando em confronto. Ele rejeitou essa interpretação e apresentou uma comparação diferente para explicar a convivência entre as lideranças. "Primeiro que não somos lobos. Somos pastores para conduzir as pessoas", declarou. Outra crítica mencionada pelo parlamentar dizia respeito à composição regional da chapa. Segundo ele, havia quem considerasse inadequada sua indicação porque Marcos Rogério possuía uma base política vinculada ao interior, enquanto Camargo tinha sua trajetória ligada ao Vale do Jamari. Nessa avaliação, o candidato a vice deveria representar Porto Velho, maior colégio eleitoral do estado. O vice-governador eleito afirmou que a aliança foi construída a partir de objetivos compartilhados, apesar das diferenças de personalidade. Marcos Rogério, conforme sua avaliação, desejava utilizar no Executivo estadual a experiência acumulada como vereador, deputado federal e senador. Camargo pretendia transformar em ações administrativas as cobranças que fazia na Assembleia, enquanto Léo Moraes buscava ampliar as possibilidades de obtenção de recursos para Porto Velho. A estratégia eleitoral também foi detalhada durante a entrevista. Camargo explicou que a campanha não concentrou permanentemente os integrantes da chapa nos mesmos compromissos. Segundo ele, Marcos Rogério percorria determinadas regiões enquanto o vice e o prefeito da capital assumiam outras agendas, ampliando a presença do grupo em diferentes municípios. Quando Marcos Rogério estava no interior, por exemplo, Camargo permanecia em compromissos na capital ao lado de Léo Moraes. Em outras ocasiões, a distribuição era invertida. O parlamentar afirmou que o procedimento foi alvo de comentários sobre um suposto afastamento entre os candidatos, mas sustentou que a separação fazia parte de uma decisão operacional. O vice-governador eleito explicou que sua presença em todos os debates de Marcos Rogério não seria necessária, já que havia compromissos com candidatos das chapas proporcionais e atividades de mobilização política. Em ocasiões específicas, como uma grande agenda na avenida Jatuarana, em Porto Velho, o grupo se reunia para demonstrar unidade. Depois, os participantes voltavam a cumprir compromissos separados. Para Camargo, o resultado eleitoral demonstrou que a estratégia funcionou. Ele atribuiu à sua atuação uma média de 73% dos votos nos municípios pelos quais ficou responsável, enquanto creditou à mobilização de Léo Moraes um resultado de 48% na capital. Também afirmou que Marcos Rogério percorreu os 52 municípios rondonienses e mais de 100 distritos durante a campanha. Esses percentuais e números de deslocamentos foram apresentados pelo próprio entrevistado. Ao comentar a dimensão da vitória, Camargo destacou os 537.370 votos recebidos pela chapa e afirmou que a votação não deveria ser interpretada como reconhecimento pessoal, mas como uma cobrança por resultados. O parlamentar disse considerar que ele e Marcos Rogério terão de responder, na administração estadual, às expectativas criadas durante a campanha. A participação de Léo Moraes também foi abordada sob a perspectiva do fortalecimento de seu grupo político. Durante a conversa, Vinícius Canova mencionou a eleição de dois deputados federais ligados ao prefeito, a vitória de seu irmão para o Legislativo estadual e a posição de Sandra Moraes, mãe de Léo, como primeira suplente de Fernando Máximo ao Senado. O jornalista também citou um editorial do Informa Rondônia que havia classificado o prefeito como o vencedor silencioso das eleições, considerando sua influência na composição da chapa vencedora e os resultados obtidos por aliados. Ao responder, Camargo reafirmou a importância da articulação política e passou a discutir as possibilidades administrativas decorrentes da aproximação entre o futuro governo estadual, a Prefeitura de Porto Velho e as bancadas parlamentares. Além dos bastidores partidários, a entrevista revelou como Rodrigo Camargo acompanhou a apuração eleitoral e o significado que atribuiu à decisão de raspar o cabelo e a barba depois da vitória. Católico praticante, o vice-governador eleito contou que não assistiu à contagem dos votos pela televisão. Em vez disso, permaneceu em oração na capela existente em sua residência, acompanhado de dois sacerdotes, sendo um deles seu padrinho e diretor espiritual. Camargo relatou que havia pedido para receber informações apenas sobre o resultado. Durante a apuração, sua esposa entrou na capela e comentou que os números indicavam a possibilidade de um segundo turno contra Hildon Chaves. O parlamentar afirmou que questionou se a contagem já havia terminado e, ao saber que ainda estava em andamento, respondeu que acreditava na definição da eleição já na primeira votação. "É primeiro turno", disse, ao reproduzir sua reação naquele momento. O vice-governador eleito contou que, ainda pela manhã, havia pedido ao chefe de gabinete, Rogério, que comprasse uma máquina de cortar cabelo. A decisão estava relacionada à convicção religiosa de que precisaria abandonar as vaidades pessoais caso a vitória se confirmasse. Ao explicar essa atitude, Camargo passou a falar sobre os riscos que, em sua avaliação, acompanham o exercício do poder. Citou a possibilidade de autoridades se cercarem de pessoas que alimentam seus egos, concordam permanentemente com suas opiniões e acabam reforçando comportamentos de superioridade. O parlamentar afirmou reconhecer que também possui vaidades e que o gesto de raspar o cabelo representava uma entrega simbólica dessas características. Durante essa explicação, sua voz ficou embargada e ele verteu lágrimas de forma contida, num dos momentos de maior emoção da entrevista exclusiva. Segundo Camargo, quando aproximadamente 80% dos votos já haviam sido apurados, pediu que um sacerdote raspasse sua cabeça. A escolha de um religioso para realizar o procedimento, explicou, fazia parte do significado espiritual que atribuía ao ato. O gesto, entretanto, não terminou com o cabelo. Camargo contou que, depois de ter a cabeça raspada, refletiu sobre o apego que mantinha à própria barba. Embora inicialmente não pretendesse retirá-la, concluiu que preservar uma característica da aparência à qual dava tanta importância seria incompatível com o propósito de abandonar suas vaidades. Por isso, decidiu raspá-la também. "Se eu deixar uma brecha, a vaidade entra", afirmou. O vice-governador eleito explicou que não considera a atitude o pagamento de uma promessa religiosa. Segundo ele, trata-se de um pedido de sabedoria e proteção espiritual para exercer suas futuras responsabilidades. Durante a conversa, mencionou a passagem bíblica de Salomão, que, ao assumir o trono de Davi, pediu a Deus sabedoria para governar, em vez de riquezas, longevidade ou a derrota de adversários. Camargo afirmou desejar que ele e, principalmente, Marcos Rogério recebam sabedoria para enfrentar os desafios administrativos de Rondônia e conduzir um governo justo. A explicação também recuperou um episódio de sua primeira eleição para deputado estadual, quando adotou o mesmo gesto de raspar o cabelo. Naquela campanha, segundo relatou, contou inicialmente com apenas quatro pessoas ajudando em sua candidatura e acabou obtendo a maior votação para o cargo em Ariquemes. A relação entre política e religião também apareceu na maneira como o vice-governador eleito interpretou as dificuldades enfrentadas dentro da Assembleia Legislativa. Camargo disse que, por vezes, o isolamento político pode decorrer da decisão de não abrir mão de princípios. Segundo ele, ouvir que não possuía amigos no ambiente parlamentar não representava necessariamente uma ofensa. Ao recordar o discurso que fez na tribuna da Assembleia depois da eleição, explicou que a manifestação estava relacionada aos episódios de resistência política que afirmou ter enfrentado ao longo do mandato. O parlamentar também mencionou críticas pessoais, acusações e conteúdos que classificou como notícias falsas divulgadas contra ele durante sua trajetória. Camargo disse que chegou a receber rótulos como radical e incendiário, mas afirmou que as dificuldades contribuíram para seu amadurecimento. Utilizou a imagem do aço, que passa por altas temperaturas e golpes até adquirir resistência, para ilustrar a maneira como interpreta os enfrentamentos políticos. Na avaliação do vice-governador eleito, as tentativas de desgaste fortaleceram sua disposição para assumir novas responsabilidades. Apesar da extensa abordagem dos bastidores eleitorais, Camargo indicou que pretende concentrar sua atuação na vice-governadoria em atividades práticas de acompanhamento da administração estadual. Sua primeira visita depois da eleição foi ao Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II, em Porto Velho, unidade com a qual mantém uma relação antiga em razão das fiscalizações realizadas durante o mandato parlamentar. O vice-governador eleito lembrou que chegou a acampar por 30 dias em frente ao hospital, período em que acompanhou relatos de pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde. Segundo ele, a experiência permitiu conhecer as dificuldades enfrentadas por quem procura atendimento e por trabalhadores submetidos a jornadas intensas e condições que considera inadequadas. Camargo afirmou que muitos servidores trabalham sobrecarregados e enfrentam problemas decorrentes da própria rotina profissional. Também criticou a persistência das dificuldades estruturais do hospital, que, em sua avaliação, se arrastam há anos sem solução satisfatória. O parlamentar disse que a escolha do João Paulo II como destino de sua primeira visita após a eleição teve caráter simbólico e administrativo. Segundo ele, o futuro governo precisa demonstrar atenção às pessoas que perderam a confiança em promessas políticas e enfrentam dificuldades para obter cirurgias eletivas, exames e outros serviços. Durante a conversa, também relatou uma situação que afirmou ter presenciado anteriormente em uma instituição destinada ao atendimento de idosos. Segundo Camargo, encontrou pessoas recebendo banho com uma pequena mangueira de jardim e água fria, além de condições inadequadas de ventilação. O vice-governador eleito utilizou o episódio para defender uma atuação governamental mais próxima das necessidades da população vulnerável. A entrevista também mencionou uma visita de cortesia ao atual vice-governador, Sérgio Gonçalves, realizada nesse período posterior à eleição. Questionado sobre o encerramento das disputas eleitorais e um possível momento de pacificação, Camargo concentrou sua resposta na necessidade de começar o trabalho pela identificação dos problemas existentes no estado. "Eu quis começar por lá para dizer que a saúde é prioridade desde o começo", declarou sobre a visita ao João Paulo II. O vice-governador eleito explicou que pretende utilizar os próximos quatro anos para reunir informações diretamente relacionadas às dificuldades da administração pública e encaminhá-las a Marcos Rogério. Na sua avaliação, o governador possui numerosas atribuições e poderá se beneficiar de um vice dedicado à obtenção de dados, ao acompanhamento dos serviços e ao apoio às decisões do Executivo. A saúde, entretanto, não foi o único setor mencionado. Camargo também demonstrou preocupação com a segurança pública e a educação, especialmente com as dificuldades enfrentadas por famílias de crianças com necessidades específicas. Ao comentar a situação financeira de Rondônia, mencionou que o estado dispõe de um orçamento de aproximadamente R$ 18 bilhões e avaliou que parte dos problemas decorre de falhas na condução administrativa, e não exclusivamente da ausência de recursos. "Eu sei que tem dinheiro, faltava gestão", afirmou. Na segurança pública, Camargo citou situações relacionadas à atuação de facções criminosas e à insegurança da população. Mencionou episódios de violência que atingiram trabalhadores e recordou o assassinato de um motorista de aplicativo, cujo vídeo, segundo relatou, circulou nas redes sociais. Para o parlamentar, acontecimentos dessa natureza demonstram a necessidade de respostas mais efetivas do poder público. Na área educacional, abordou a realidade de famílias atípicas que enfrentam dificuldades para conseguir atendimento com neuropediatras, apoio de cuidadores em sala de aula e monitores nos ambientes escolares. Também relatou situações de mães que, segundo ele, retornam para casa sem conseguir vaga para os filhos, diante de obstáculos relacionados ao atendimento educacional. Camargo relacionou essas questões à motivação que, segundo afirmou, levou o grupo político a disputar o governo estadual. Disse considerar que o futuro Executivo precisará enfrentar problemas que já eram objeto de suas cobranças como deputado. Nesse contexto, explicou como pretende se comportar ao deixar a Assembleia Legislativa e passar a integrar a administração de Marcos Rogério. O vice-governador eleito afirmou que não abandonará a postura de cobrança, embora reconheça que sua posição institucional será diferente. Durante o mandato parlamentar, Camargo direcionava críticas ao governador e aos órgãos estaduais. Na futura administração, pretende trabalhar subordinado à orientação política e administrativa de Marcos Rogério, concentrando parte de suas cobranças nos secretários e no funcionamento dos serviços públicos. O parlamentar afirmou que deseja acompanhar resultados, oferecer informações e auxiliar os responsáveis pelas pastas estaduais no cumprimento das determinações do governador. Também ressaltou que não pretende disputar o protagonismo administrativo com Marcos Rogério, mas colaborar para o desempenho da gestão. Para explicar o tipo de estrutura que considera adequada à vice-governadoria, Camargo utilizou sua experiência anterior na Polícia Civil e na Assembleia Legislativa. Segundo relatou, recebeu em 2022 um reconhecimento como delegado de destaque em levantamento realizado pelo portal Delegados.com, resultado que atribuiu ao trabalho da equipe formada por escrivães e agentes que atuavam na regional de Ariquemes. O vice-governador eleito contou que adotou procedimento semelhante quando assumiu seu gabinete parlamentar. Em vez de formar uma equipe exclusivamente por critérios políticos, decidiu selecionar profissionais com perfil técnico, medida que, segundo ele, chegou a provocar críticas de pessoas próximas. Camargo afirmou que posteriormente foi surpreendido por um levantamento divulgado pela Coluna Esplanada, de Brasília, que o apontou como o deputado estadual mais produtivo do país. O parlamentar atribuiu novamente o resultado à organização da equipe, sem apresentar na entrevista os critérios completos utilizados no levantamento. O tema voltou à conversa quando foi questionado sobre a continuidade de seu trabalho legislativo até a posse no Executivo. Camargo afirmou que pretende permanecer em atividade parlamentar enquanto a legislação permitir, mesmo sabendo que precisará deixar a Assembleia antes do encerramento regular da legislatura para assumir a vice-governadoria. "Então, até o último dia que a legislação me permitir, eu darei o meu máximo com a minha equipe", declarou. Segundo o deputado, uma reunião recente com seus servidores serviu para avaliar a produtividade do gabinete durante a campanha eleitoral. Ele afirmou que os integrantes da equipe mantiveram a jornada regular de trabalho e que as atividades políticas foram realizadas no período da tarde. Camargo também disse utilizar um sistema de acompanhamento individual da produtividade dos servidores e assegurou que os indicadores não apresentaram queda durante o período eleitoral. A experiência, segundo ele, deverá orientar a formação de sua futura equipe no Executivo, com prioridade para profissionais técnicos e capacidade de entrega de resultados. A preparação administrativa foi novamente abordada quando o entrevistador perguntou o que a população poderia esperar de Rodrigo Camargo na condição de vice-governador. O parlamentar respondeu que pretende utilizar sua formação, experiência e capacidade de análise para contribuir com as decisões de Marcos Rogério. Ao tratar da própria formação policial e militar, destacou a importância da prudência na avaliação das consequências de decisões administrativas. Camargo afirmou considerar que sua função será identificar problemas, antecipar dificuldades e fornecer elementos que permitam ao governador escolher os caminhos mais adequados. A conversa também avançou para a força política conquistada pelo PL e por seus aliados depois das eleições. Vinícius Canova mencionou a eleição de sete deputados estaduais e três deputados federais do Partido Liberal, além do controle das três cadeiras de Rondônia no Senado e da vitória de Marcos Rogério para o governo. Camargo respondeu destacando que a composição das bancadas poderá facilitar a interlocução entre o Executivo, a Assembleia Legislativa, o Congresso Nacional e o governo federal. Segundo sua avaliação, a aproximação entre PL, Podemos e Novo deverá contribuir para formar uma base de sustentação política na Assembleia. O vice-governador eleito também mencionou a presença dos senadores Jaime Bagattoli, Bruno Scheid e Fernando Máximo como integrantes de um campo político alinhado ao futuro governo. Na Câmara dos Deputados, citou Lúcio Mosquini, Coronel Chrisóstomo e Sofia Andrade, eleitos pelo PL, além de Jaime Gazola e Cristiane Lopes, nomes que incluiu entre os parlamentares próximos ao projeto político. Camargo afirmou que a articulação nacional possui importância especial porque, segundo os números apresentados por ele, aproximadamente 43% dos recursos necessários à manutenção da máquina pública estadual têm origem em repasses federais. Na avaliação do vice-governador eleito, a possibilidade de alinhamento político com a Presidência da República representaria uma oportunidade para ampliar a capacidade de negociação do estado. Nesse ponto da entrevista, defendeu a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência e afirmou que a eleição do representante de seu campo político poderia favorecer pautas consideradas prioritárias para Rondônia. Entre elas, Camargo mencionou a possibilidade de revisão das tarifas previstas no contrato de concessão da BR-364, especialmente em relação à cobrança de pedágios. Também afirmou que Flávio Bolsonaro possui compromissos relacionados à regularização fundiária no estado. Segundo o parlamentar, uma das medidas necessárias seria a transferência de terras da União ao governo estadual, permitindo que a administração de Rondônia, em parceria com as prefeituras, avançasse na titulação das propriedades. Camargo associou a regularização fundiária à possibilidade de pequenos e médios produtores obterem financiamento bancário e garantirem segurança patrimonial para suas famílias. As iniciativas foram apresentadas como compromissos e possibilidades políticas, sem detalhamento de instrumentos legais, prazos de execução ou valores previstos. O vice-governador eleito também afirmou que, embora considere Rondônia um estado de perfil eleitoral predominantemente conservador, o grupo político precisará buscar o apoio de eleitores que votaram em outras candidaturas. Nesse contexto, defendeu a mobilização em torno do número 22, associado à candidatura presidencial que apoia. Ao longo da entrevista, Camargo reiterou sua identificação com valores cristãos e conservadores, mas destacou que a futura administração precisará demonstrar capacidade de gestão para responder às expectativas criadas pela vitória eleitoral. O parlamentar também voltou a agradecer a Marcos Rogério pela aceitação de seu nome na chapa e a Léo Moraes pela indicação que viabilizou sua presença na disputa majoritária. Na avaliação dele, os episódios de pressão, as críticas à composição da candidatura e as especulações sobre desentendimentos acabaram contribuindo para fortalecer a união do grupo durante a campanha. Camargo afirmou que pretende iniciar a nova etapa política sem ressentimentos em relação a adversários, mas com disposição para trabalhar e cobrar providências dos responsáveis pela administração estadual. Para ele, a vitória eleitoral criou uma responsabilidade que precisa ser traduzida em resultados concretos nos serviços públicos. No encerramento da edição especial do RD Entrevista, realizada pelo Rondônia Dinâmica em parceria com o Informa Rondônia, o vice-governador eleito reforçou que sua prioridade será auxiliar Marcos Rogério durante os próximos quatro anos. Ao mencionar novamente os 537.370 votos recebidos pela chapa, afirmou que cada voto representa um motivo para trabalhar, e não um aplauso a ser celebrado. "Eu estou aqui inteiramente disposto a dar o meu melhor para que o Marcos Rogério seja lembrado como o melhor governador que esse Estado já teve", declarou. Assista:

Fonte: Rondônia Dinâmica

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